Esse texto foi escrito há um certo tempo e também estava no outro blog. Ele se encaixa no "Medo hipócrita". Mostra como era minha visão e como ela sutilmente mudou, criando um certo "antes e depois". Se me faltava medo para ser mais realista, agora ele existe. Evolução? Talvez.
Daí você encontra aquela pessoa legal, divertida e bonita. Vocês se envolvem e puxa vida, tudo vai tão bem! Até aquelas típicas frases: não sei o que sinto, estou confuso (a), você é a pessoa certa na hora errada, e todas aquelas desculpas “esfarrapadas” de sempre.
Pois bem, você chegou a nossa era. A era do amor descartável, do amor passageiro.
As pessoas são úteis para as outras por um tempo determinado. Enquanto os defeitos não aparecem, enquanto outra pessoa não aparece, enquanto a paixão não desaparece.
Mas sabe o que é o pior? A maioria não tem culpa disso. É algo que está nos acompanhando há algum tempo já, aquela coisa de ficar com várias pessoas, experimentar tudo, não se apegar em ninguém, etc. Dando minha opinião direta já, acho a maior idiotice tudo isso. Só que eu procuro defender o que penso, além de dizer que é errado, agindo da forma que defendo: não fico com várias pessoas, não tenho medo de me apegar. Aliás, esse tal medo de se apegar, é a pior covardia do século XXI.
Mas voltando a explicação do amor descartável, digo que todos querem um lugar seguro para estarem, todos querem alguém do seu lado. Porém, ao mesmo tempo não querem, querem curtir a vida, fazer festa, pegar e experimentar o maior número de seres que passarem na frente. Até por que, nunca se sabe quando a pessoa “certa” está na nossa frente, mas então... qual o problema de tentar? O problema é que enquanto você está tentando, outras mil pessoas mais interessantes passam por você, e seu medo é estar perdendo tudo aquilo, ou ainda o medo de sofrer quando acaba. Nada mais correto do que evitar sofrimento não? Mas às vezes é evitando sofrimento que se perdem oportunidades de ser mais feliz. Mais feliz porque se deve ser feliz sozinho, outra pessoa deve complementar essa felicidade, mas nunca ser ela.
Enfim, por mais que eu tenha me tornado mais realista depois de quebrar a cara, ainda preservo meu estilo antigo, de acreditar nas pessoas e não ter medo. E mesmo pensando assim, tento evitar ao máximo fazer quem eu gosto sofrer, por mais que algumas pessoas mereçam isso. É esse amor com erro de digitação, esse amor atirado por aí, que na verdade ninguém sabe o que é, mas denomina amor, que acaba transformando situações legais em tristezas. Falta coragem e ao mesmo tempo medo em todo mundo. Falta tolerância e falta diretismo. Mas falta principalmente respeito, o pensar no outro, pensar no que pode e não pode acontecer, pensar e respeitar. Resta desejar isso, que todos pensem e aproveitem mais, sem usar o amor como objeto de tudo, porque amor não é isso. Não queria definir amor, porque é bem mais simples dizer o que ele não é. Mesmo assim, na minha opinião, amor é aquilo que acontece quando duas pessoas estão sentadas por aí conversando há horas e nem percebem, mas cada um controla fortemente a vontade de beijar e abraçar o outro.
Porque amor talvez seja isso, não perceber que ele existe, mas mesmo assim ele estar ali.