quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Se o tempo voltar...


Se eu disser que não deixei de pensar em você se quer um dia;
O tempo vai voltar?
Se eu disser que te busquei em rostos e corpos sem nenhum sucesso;
O tempo vai voltar?
Se eu disser que aquela palavra me machucou;
O tempo vai voltar?
Se eu disser que o esse seu sentimento não é o que eu quero;
O tempo vai voltar?
Se eu disser que continuo achando você a pessoa mais linda do mundo;
O tempo vai voltar?
Se eu disser que ainda sonho contigo;
O tempo vai voltar?
Se eu disser que nunca desisti, apenas cansei;
O tempo vai voltar?
Se eu disser que tenho ciúme de algo que nunca foi meu;
O tempo vai voltar?
Se eu disser que te protejo em pensamento a cada segundo;
O tempo vai voltar?
Se eu disser que menti quando falei que queria te ver feliz com alguém;
O tempo vai voltar?
Se eu disser que na verdade não queria que você encontrasse ninguém;
O tempo vai voltar?
Se eu disser que ainda imagino como teria sido o “nós”;
O tempo vai voltar?
Se eu disser que ainda espero um fim de tarde com você;
O tempo vai voltar?
Se eu disser que tenho medo que isso seja amor;
Você resolve me dar uma chance? 

sábado, 25 de dezembro de 2010

Forever alone


Tenho passado bastante tempo sozinha, e não estou reclamando, está bacana assim.
Cheguei a conclusão de que preciso de solidão, mais do que a maioria das pessoas.  Ficar sozinho te faz pensar mais, refletir mais, observar mais. Já isso não sei se é tão bom assim.
Eu não consigo passar muito tempo com as mesmas pessoas, eu enjôo. É involuntário, gostaria que a companhia dos outros fosse sempre algo bom e que me alegrasse. Mas sabe, não dá. Preciso do meu espaço, preciso pensar sozinha sobre meu dia, sobre minha vida, sobre o que farei ou não amanhã. Sem falar pra ninguém, eu e eu. E o meu eu não quer invasões.
Em uma dessas minhas reflexões sempre acabo pensando em coisas que me deixam pra baixo, mas acho que faz parte né? Nem tudo pode ser flores. Penso se realmente estou no caminho certo, de como tudo pode e vai mudar daqui um tempo, da saudade que mora em mim. De como os setores da minha vida poderiam ser diferentes, de como eu poderia ser diferente, e sim... penso demais em você. E isso me invade de tal forma, que me perco em pensamentos e esqueço de passar a música chata. É tão bom e tão complicado estar na minha companhia.
Por vezes recuso a vida lá fora pra me avaliar e me fazer companhia. Sei que posso estar perdendo aquele trago, aquela festa e aquele pessoal bacana. Às vezes chego a pensar naquela coisa de “estar só no meio de uma multidão”, pode até ser. Me falta algo. O exterior não tem muito poder sobre mim, meu interior me comanda. Ele diz pra ficar e pensar. Então eu fico, refletindo demais.
Coldplay tocando, meu bloco de anotações cheio da minha assinatura, o copo de Coca-Cola largado na mesa. Meu mundinho, meu eu tão simples. E mesmo com tudo isso preservado, sinto falta de mim mesma. Me perco tão facilmente em meus pensamentos que me pergunto se sou eu ou minha consciência liderando tudo. Talvez falte alguém para ser minha âncora e não deixar que eu saia do porto. Vai saber. O problema é encontrar a âncora e perder o mar, como já aconteceu.

O jeito é puxar um violão e contemplar essa solidão opcional. 

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

"O sal viria doce para os novos lábios..."


Eu me tornei você tão cedo...
Refleti sobre esse trecho da Reação em Cadeia por um bom tempo e cheguei a algumas conclusões, baseadas em minha (s) experiência (s). Não defino uma ou várias porque tenho partes de mim que desconheço a origem.
Pois bem, eu me tornei determinadas pessoas ao longo do tempo, analisando melhor, pouco tempo. Gírias, formas de agir e pensar, gostos, desgostos. Palavrinhas que não usava e que ainda travam na língua quando podem ser ditas para a pessoa “dona” de tal vocabulário. Formas de ver o mundo que antes não se encaixavam em meus princípios. E falando em princípios, todas as nossas ações são baseadas neles, cada um possui os seus. Me surpreendo ao pensar como o respeito e o amor que senti me fizeram mudar alguns dos meus princípios e adaptar os que já existiam.  Mudei gostos, somei novos, esqueci alguns. Interpretei situações de jeito diferente, tive novas primeiras impressões, repeti erros.
É incrível como isso acontece e não reparamos. Todas as pessoas que passam pela nossa vida deixam um pouco de si conosco. Cada ser é a soma de todos os outros que já cruzaram seu caminho. Por mais original que se pensa ser, não passamos dessa carga de vidas. E repassamos isso pra outras, e pegamos algo delas, e de repente encontramos alguém com gostos exatamente iguais ou parecidos. Tá aí a explicação: talvez a “alma gêmea” tenha um pouquinho de você e você dela, sem nem ao menos terem se cruzado em uma festa durante toda a vida. Se a tal alma gêmea nunca apareceu, considere-se com sorte. Na sua frente pode estar um mundo totalmente inexplorado, com ideias e visões novas para o seu mundo.
O som que eu ouço são as gírias do seu vocabulário, o que eu leio tem as letras do seu nome, o que eu escuto tem a sua melodia e o que eu vivo faz parte da sua vida.

Sem mais delongas, é o que me tornei: uma cópia estranha das pessoas que amei.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

No infinitivo


Talvez reclamar do calor
Puxar um balde de água e brincar no quintal
Discutir o que fazer no final de semana
Dizer tchau querendo ficar
Passar vergonha na frente dos pais
Morrer de ciúme
Inventar desculpas sinceras
Gostar
Ou ainda recuperar o tempo perdido
Conversar sobre bobagens
Rir dos amigos atrapalhados
Compartilhar a tristeza de uma briga
Ver o sol se pôr e mais tarde nascer
Se embebedar na mesma festa
Caminhar sem destino certo
Amar

sábado, 11 de dezembro de 2010

domingo, 5 de dezembro de 2010

Póstumo


Fazia algum tempo que uma pessoa “próxima” a mim não morria. Pois bem, o avô da minha prima faleceu esse final de semana, e mesmo não tendo parentesco sanguíneo comigo, senti algumas coisas estranhas e até engraçadas.
Algo que eu sempre pensei sobre morte é o quanto somos insignificantes. Nós somos o centro do mundo apenas para nós mesmos. As opiniões, o modo de ver as coisas, as reações, as generalizações que vivemos fazendo, as dores. Só são assim para você ou eu. O “resto” do universo pensa diferente e a maioria nem sabe da sua existência.
Que existem pessoas que se importam com você é fato. Porém, o mundo não vai parar de girar se você desaparecer, as pessoas não deixarão de viver se você não existir. A única coisa que vai deixar de existir é o seu mundo, você. Na vida observamos tudo pelos nossos olhos e da nossa forma, vivendo como se fomos um imã: tudo acontecendo ao nosso redor. De repente, isso simplesmente deixa de existir, some. Assim, do nada. Passamos anos e anos correndo atrás da felicidade, do carro vermelho, da casa na praia. E em um instante tudo isso deixa de ser importante.
Não estou tentando reduzir a vida a pó, mas explicar como somos solitários e egoístas, involuntariamente. Isso está no nosso sangue, no nosso coração e na nossa mente. Todo mundo que conhecemos vai chorar no dia em que partirmos, mas daqui a alguns anos, eles que deixarão de estar presentes, por eles que alguém derramará lágrimas. É um ciclo que não termina. Famílias ficam menores, sobrenomes se perdem, vidas desaparecem. Em uma hora você está ali, na outra não está mais. Simples e complicado ao mesmo tempo.
Enfim, sou uma daquelas pessoas que não quer choro no velório. Toquem Losing Touch do The Killers e falem das besteiras que eu fiz durante a vida. O mundo continua a girar e todas as pessoas têm suas vidas para cuidar. Somos importantes, sim.  Mas depois do enterro, o que vale é as lembranças. Nada de suicídios, choros prolongados e tristeza profunda. Isso vale para o momento, mas tudo continua. Sad but true.

E sempre que eu vou num velório fico imaginando que o morto vai levantar e todo mundo sairá correndo. É.


quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Retrospectiva bilateral


Talvez não seja o momento correto de falar sobre meu 2010, porque ele ainda não acabou, mas já que estou mais relaxada agora e as aulas praticamente acabaram, aproveito pra comentar sobre ele.
Foi um ano louco. É, louco. Passei por coisas que nunca havia passado, experiências que me serviram de base para o que me tornei. O espantoso pra mim é que tudo isso tenha ocorrido apenas em um ano. E sim, me refiro ao campo emocional principalmente. Profissionalmente também passei por situações que me incharam a cabeça com conhecimento e visão de mundo. Estou chegando ao final de 2010 da forma como entrei. Estou diferente, me sinto diferente, todo mundo vê.
Profissionalmente falando, foi um ano de iniciação pra mim. Trabalhei! Isso nunca foi preocupação pra mim, nunca foi um objetivo (não enquanto estudasse), nunca fez parte da minha vidinha calma. Aprendi a lidar com pessoas, pessoas estranhas, pessoas bravas, pessoas alegres, enfim... pessoas. E elas continuam me assustando, mesmo depois de ter me relacionado com tantas nos meses que trabalhei. Após essas experiências profissionais, fiquei com a certeza de que estou fazendo e estudando o que gosto. É aí que encontrarei minha tranqüilidade agitada, aquela que eu quero pro meu futuro.
Emocionalmente, passei por tantas situações que nem sei como descrever corretamente. Minhas visões não mudaram tanto, apesar de eu ter vários motivos para querer manter distância de relacionamentos. Entrei em 2010 sem muita preocupação em encontrar alguém, afinal, meu coração não queria. Ele já tinha alguém. Mas continuei como todo mundo faz, tentando manter uma alegria substituta. Eis então que surgiram pessoas, relacionamentos e encantamentos temporários. Temporários, apenas. Realmente não posso chorar pelas coisas que aconteceram, porque no fim das contas, as pessoas que encontrei curaram por determinado tempo a minha carência natural. O que era pra ser, o tempo que devia durar, o quanto eu devia gostar: tudo foi certo. Saio de 2010 da mesma forma que entrei. Sabendo de quem gosto, mas tendo a certeza que outras pessoas virão, outros encantamentos e quem sabe, algo mais seguro para eu repousar.
Todas as coisas que aconteceram nesse ano mudaram minha forma de ser. Me tornei mais realista, mais objetiva, mais chata. Mas não me traio. Sou fiel aos meus princípios e idéias, por isso continuo a mesma, apenas em uma versão adaptada às situações da vida. Ainda acredito no meu mundo, nas pessoas dele e principalmente, em mim. Que venha 2011 com suas surpresas e efeitos. Eu preciso mudar mais, mas sempre do mesmo jeito, devagar.  

"Eu continuo aqui, com meu trabalho e meus amigos. E me lembro de você, em dias assim... dia de chuva e dia de sol." 


segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Eterno enquanto dura


Um dos meus filmes preferidos é “500 Days Of Summer”. Quando digo isso, pessoas que me conhecem se espantam e dão risada. Eu assistindo comédia romântica e considerando um dos melhores filmes no quesito história. Mas é isso aí.
O filme é especial em vários sentidos. O relacionamento apresentado é mais realista e ao mesmo tempo improvável (um anti romance). Nele, um rapaz se apaixona por uma garota. Mas ela não acredita no amor e não quer um relacionamento sério, pois diz não gostar de relações assim. Inicia-se aí a confusão, que é mostrada de forma não linear no filme. Por que é um dos meus prediletos? Simplesmente porque eles não ficam juntos no final. É, não ficam. Fica claro que as pessoas não amam do mesmo jeito, e não possuem os mesmos objetivos quando a questão são relacionamentos. Demonstra também como nem tudo é perfeito e como o amor não precisa durar pra sempre, desde que seja eterno e deixe marcas especiais nos envolvidos.
Às vezes nos apaixonamos cegamente por alguém e colocamos a imposição de que deve ser eterno. Se as coisas mudam, o mundo desaba e o outro não passa de um mentiroso. Mas não entendemos que o sentimento pode ser verdadeiro durante o tempo que foi vivido. As alegrias, as tristezas, as emoções. Tudo foi verdadeiro. Tudo foi sentido fortemente. Então, o que aconteceu? As pessoas mudaram. Os sentimentos mudaram. Essa é uma razão para aproveitarmos tudo que a vida nos oferece. Não sabemos durante quanto tempo vamos gostar de alguém e muito menos durante quanto tempo essa pessoa vai nos “amar”.
Entretanto, ainda existe aquele amor pra vida toda. O problema é que ele está cada vez mais difícil de encontrar e de ser percebido. Com o mundo vivendo a era dos relacionamentos estupidamente rápidos, podemos facilmente passar pela pessoa da nossa vida e deixá-la ir embora. Seja por orgulho, por liberdade, por insegurança.
De qualquer forma, o importante é não se entregar a ideia do prasemprecomvocêamor. Quando vivemos para algo que “vai ser eterno”, perdemos as pequenas alegrias do agora. Quando desejamos algo “eterno” deixamos escapar a felicidade do momento, do amanhã que se define como um dia da semana, e não como 90 anos. Quando queremos alguém pra sempre, ignoramos o abraço apertado num dia comum, pois estamos sempre esperando aquela viagem para Paris em 2015.
Viver o presente, imaginar o futuro e guardar o passado. Encontrou alguém bacana mas se separaram ou nem se deram a oportunidade? Se for pra dar certo, vai dar. Algum dia as pessoas voltam a se encontrar, talvez mais maduras. E de tão maduras, podem perceber que não se desejam tanto assim. Ou pelo contrário, acabam entendendo que desperdiçaram tempo ficando longes. E dentro desse tempo, tudo pode acontecer. Até mesmo encontrar outra pessoa tão ou mais especial que a anterior. A vida é feita de desencontros de sentimentos.

“Esta não é uma história de amor. É um história sobre o amor.”

terça-feira, 16 de novembro de 2010

"Por inteiro."


"Não passam as dores, também não passam as alegrias.
Tudo o que nos fez feliz ou infeliz serve pra montar o quebra-cabeça da nossa vida, um quebra-cabeça de cem mil peças.
Aquela noite que você não conseguiu parar de chorar, aquele dia que você ficou caminhando sem saber para onde ir, aquele beijo cinematográfico que você recebeu, aquela visita surpresa que ela lhe fez, o parto do seu filho, a bronca do seu pai, a demissão injusta, o acidente que lhe deixou cicatrizes, tudo isso vai, aos pouquinhos, formando quem você é.
Não há nenhuma peça que não se encaixe.
Todas são aproveitáveis.
Como são muitas, você pode esquecer de algumas, e a isso chamamos de "passou".
Não passou. Está lá dentro, meio perdida, mas quando você menos esperar, ela será necessária para você completar o jogo e se enxergar por inteiro."

Martha Medeiros

Afogando pensamentos

Uma homenagem à noite de 14 de novembro de 2010.


Um, dois, três copos. E tudo que eu havia pensado em dizer, tudo que eu havia prometido a mim mesma, vai por água abaixo. Ou melhor, álcool abaixo. E me deixa mais vulnerável, e me deixa mais compreensiva, e me deixa ali... sem nada pra dizer mas com tantas palavras na ponta da língua.
Incrível o poder da bebida. Converso com quem, sóbria, digo que detesto. Cumprimento pessoas que vi uma vez na vida. Dou risada da garota se equilibrando no salto. Declaro amores que existem só dentro de mim e que prometi não ressuscitar. Me deixo levar por conversas que em estado normal, não acreditaria. Sofro de felicidade instantânea. E continuo, mesmo sabendo que deveria parar.
Entretanto, as conseqüências piores são no dia seguinte. Calor excessivo que me impede de dormir. Pernas bambas que fazem do banho uma aventura radical e suicida. Memória recente completamente afetada, não sabendo o que aconteceu de verdade ou foi imaginação. Ânsia de vômito em frente ao almoço servido às 6 da tarde. E volto pra cama, mesmo sabendo que deveria permanecer acordada.
Fisicamente ou psicologicamente, a ressaca pesa. Não diferenciar os atos espontâneos dos influenciados pelo álcool é o mais complicado. O corpo denuncia que tudo tem uma reação. Tentamos nos distanciar da realidade e acabamos sentindo as dores mais reais.
Porém, pela segunda vez no quesito tragos, não me arrependo do que aconteceu. O álcool não retirou totalmente minha capacidade de avaliar o que era e é melhor pra mim. Durante muito tempo, busquei nele o que a maioria das pessoas procura: esquecer. Agora percebo que não preciso esquecer nada, posso guardar o que passou e encarar o que vem pela frente de forma tranqüila. Não vou mais decorar textos pra dizer, porque no fim das contas, minha língua não diz o que o cérebro tinha pensado. Vulnerabilidade combina comigo, com ou sem bebida.

E pela 50ª vez digo que vou parar de beber. Sério.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

"Ser ou não ser de ninguém."

Em um passeio rotineiro pela internet, me deparei com esse texto de Arnaldo Jabor. Me surpreendeu a semelhança de pensamentos. Posso dizer que praticamente tudo o que penso sobre relacionamentos modernos está descrito nele. Leia e entenda do que falo.


Na hora de cantar, todo mundo enche o peito nas boates e gandaias, levanta os braços, sorri e dispara: "eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também".
No entanto, passado o efeito da manguaça com energético, e dos beijos descompromissados, os adeptos da geração tribalista se dirigem aos consultórios terapêuticos, ou alugam os ouvidos do amigo mais próximo e reclamam de solidão, ausência de interesse das pessoas, descaso e rejeição. A maioria não quer ser de ninguém, mas quer que alguém seja seu.
Beijar na boca é bom? Claro que é! Se manter sem compromisso, viver rodeado de amigos em baladas animadíssimas é legal? Evidente que sim. Mas por que reclamam depois? Será que os grupos tribalistas se esqueceram da velha lição ensinada no colégio, de que toda ação tem uma reação?
Agir como tribalista tem conseqüências, boas e ruins, como tudo na vida.
Não dá, infelizmente, para ficar somente com a cereja do bolo - beijar de língua, namorar e não ser de ninguém. Para comer a cereja, é preciso comer o bolo todo e, nele, os ingredientes vão além do descompromisso, como: não receber o famoso telefonema no dia seguinte, não saber se está namorando mesmo depois de sair um mês com a mesma pessoa, não se importar se o outro estiver beijando outra, etc, etc, etc. Embora já saibam namorar, os tribalistas não namoram. "Ficar" também é coisa do passado. A palavra de ordem hoje é "namorix". A pessoa pode ter um, dois e até três namorix ao mesmo tempo. Dificilmente está apaixonada por seus namorix, mas gosta da companhia do outro e de manter a ilusão de que não está sozinho.  Nessa nova modalidade de relacionamento, ninguém pode se queixar de nada. Caso uma das partes se ausente durante uma semana, a outra deve fingir que nada aconteceu, afinal, não estão namorando. Aliás, quando foi que se estabeleceu que namoro é sinônimo de cobrança? A nova geração prega liberdade, mas acaba tendo visões unilaterais. Assim, como só deseja a cereja do bolo tribal, enxerga somente o lado negativo das relações mais sólidas. Desconhece a delícia de assistir a um filme debaixo das cobertas num dia chuvoso comendo pipoca com chocolate quente, o prazer de dormir junto abraçado, roçando os pés sob as cobertas, e a troca de cumplicidade, carinho e amor. 
Namorar é algo que vai muito além das cobranças. É cuidar do outro e ser cuidado por ele, é telefonar só para dizer boa noite, ter uma boa companhia para ir ao cinema de mãos dadas, transar por amor, ter alguém para fazer e receber cafuné, um colo para chorar, uma mão para enxugar lágrimas, enfim, é ter alguém para amar.
Já dizia o poeta que amar se aprende amando. Assim, podemos aprender a amar nos relacionando. Trocando experiências, afetos, conflitos e sensações. Não precisamos amar sob os conceitos que nos foram passados. Somos livres para optarmos. E ser livre não é beijar na boca e não ser de ninguém. É ter coragem, ser autêntico e se permitir viver um sentimento... É arriscar, pagar para ver e correr atrás da tão sonhada felicidade. É doar e receber, é estar disponível de alma, para que as surpresas da vida possam aparecer. É compartilhar momentos de alegria e buscar tirar proveito até mesmo das coisas ruins. Ser de todo mundo, não ser de ninguém, é o mesmo que não ter ninguém também... É não ser livre para trocar e crescer... É estar fadado ao fracasso emocional e à tão temida solidão.”



Na busca de paz


Quando me perguntam o que é felicidade, sempre respondo: satisfação.
Dizia que não acreditava em felicidade, que isso era utopia. Mas agora acredito, de forma bem peculiar. Ser feliz para mim é a união de três coisas: tranqüilidade, segurança e amor. Estar feliz é estar tranqüila.
Minha missão particular é encontrar essa tranqüilidade. Todos os dias da minha vida estão direcionados a isso e acredito que posso encontrá-la quando alcançar meus objetivos. Essa vida enlouquecida, cheia de riscos e mudanças repentinas não me agrada. Gosto de paz, calma e um horizonte alaranjado para olhar. Me chamam de chata por isso, mas sou uma amante declarada da rotina. Gosto de programações, gosto de coisas certas, gosto de saber o que vou fazer. Claro, sempre com alguma mudança, para que eu não perca os prazeres que essa vida apressada oferece. Mas uma rotina bem agradável... ah, é perfeita pra mim.
Para os imprevistos, existem as férias. Para a correria, existem os atrasos. De resto, quero tranqüilidade. Chegar aos 40 anos e ter a consciência de que realizei o que queria, conheci pessoas importantes e poder me orgulhar do que me tornei. Aprendi que a felicidade vem de dentro, da própria pessoa, depender de alguém para estar de bem com a vida é a maior bobagem que fazemos. Por isso, quero me fazer feliz para poder fazer alguém feliz. Se essa pessoa surgir no meio do meu trajeto, ótimo! Levo ela comigo. Do contrário, sigo meu caminho apenas com meus desejos, sorrisos, lágrimas, emoções, amores e amigos. Essa imposição feita ao longo dos anos, que nos força a encontrar alguém e aceitar que vida perfeita é isso, não se encaixa nos meus pensamentos.
Minha felicidade chamada satisfação não é tão exigente, mas sinto que não será tão fácil assim alcançá-la. Pelo menos conto com a juventude. Ainda há um longo caminho para percorrer, lugares para conhecer, perfumes para sentir, olhos para se apaixonar e arrependimentos para levar. E sinceramente, sei que não é aqui o meu lugar.  Não encontrei minha paz por esses lados, sofri por coisas que agora considero bobagens, mesmo que elas ainda me atormentem. Por isso, meus planos já estão feitos. Tudo para que não seja uma mudança brusca, no estilo que detesto. Será tudo no seu devido tempo, com paciência e confiança. Verei o sol nascer longe daqui. Será bem perto daquele lugar em que as ondas nos dão bom dia.

E que o mundo me perdoe, mas só quero ser feliz. 

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Vênus e Urano


Eu sou o que vai acontecer
Você é o que acontece todo instante
Eu sou a paciência, a calma constante e o refúgio
Você é o furacão, a pressa e a fuga antes de chegar
Eu sou a segurança do dia-a-dia, a tradição simples
Você é a liberdade insegura, o exótico do de repente
Eu sou a teoria temperada com prática
Você é a prática livre de qualquer teoria
Eu sou o prólogo vidente
Você é o epílogo insistente
Eu sou a observação e o pensamento infinito
Você é o toque e a ação sem explicações
Eu sou a vontade de permanecer
Você é o desejo de mudar
Eu sou a solução dos seus problemas
Você é o problema para o qual eu não tenho solução
Eu digo que faz todo sentido
Você diz que só considero demais
Eu sou a terra
Você o ar
Por que continuar?
Porque sobram razões para desistir. 


sexta-feira, 5 de novembro de 2010

"Nada do que foi será..."


Não acredito em primeira chance, muito menos em segunda.
Defino-me como uma chata porque realmente sou. Não tolero traições, falta de respeito ou qualquer tipo de ofensa sem sentido. Minha paciência tem limites, e eles são bem distantes. Por isso pra me irritar de verdade e conseguir perder totalmente minha confiança, deve-se insistir muito em um caminho. Algumas pessoas conseguem isso de forma tão rápida que fazem com que eu me pergunte: o problema sou eu?
O pior de tudo é que não. O problema não sou eu. O mundo está de um jeito completamente errado pra mim e eu me nego a aceitar certas atitudes “modernas”. Infelizmente, são essas ações humanas que me fazem perder as esperanças e até, me tornam cética em assuntos nos quais não se deve ser assim.
Acredito que devemos aproveitar cada situação em que a vida nos coloca. Mas aproveitar de uma forma que nos faça crescer, e não que nos torne pior do que somos. Cada oportunidade que nos é dada, independente do que seja, traz uma carga de novos sentimentos e percepções do mundo. Então, aproveitar a única chance que recebemos, é indispensável. Porque tudo é uma chance, e única. Não existe primeira nem segunda. É tudo único. As coisas e pessoas mudam, portanto nada vai se repetir em totalidade. Nada vai ser o mesmo.  Pode-se correr atrás do tempo perdido, atrás da pessoa perdida, atrás do respeito perdido. Mas nada vai apagar o que passou e não foi correto. Existem pessoas que possuem o dom de esquecer e perdoar coisas que lhes fizeram mal. Pois bem, não sou uma delas. Perdão, pra mim, fica bem longe de aceitação. Conseqüentemente, segunda chance não faz parte de minhas decisões, não mais.
Eu aproveito a minha única chance em todas as coisas, dou o meu melhor e espero o mínimo das pessoas envolvidas. Talvez meu jeito desligado acabe não percebendo fatores que poderiam alterar toda a história, mas mesmo assim, continuo não aceitando atitudes bobas e inconseqüentes. Falta de respeito se encaixa perfeitamente no primeiro lugar de ações, a meu ver, repugnantes.
Aproveite seu tempo. Sorria, dance, cante, veja em cada pessoa o seu melhor, dê o seu melhor, entenda, aprenda, cresça... respeite. A sua única chance acontece a cada segundo. Depois é tarde, nosso futuro espera apenas as decisões de hoje para se construir e nos dizer se a felicidade vai nos acompanhar ou não.  Segunda chance é para aqueles que não têm coragem de dar o seu melhor no início ou que não tiveram inteligência de perceber o mais importante.

Clichê, porém perfeito: “Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida.” 


segunda-feira, 1 de novembro de 2010

November has come


Novembro. Já estamos em novembro. Tenho que confessar: não vi outubro passar. Foi o mês mais rápido de todos que vivi, quando me toquei já era dia 31 de outubro.
O fim das aulas se aproxima, o verão já esta aí, milhões de aniversários também. Todas as crianças produzidas na época do carnaval se unem em festinhas para comemorar o novo ano. A programação para as comemorações do fim de 365 dias já se iniciam e as tias já se preparam para avisar que virão no natal.
Novembro é o último mês útil do ano. São 30 dias de despedidas e planos. É o mês do meu querido ascendente, ou seja, é culpa dele a quantidade de pessoas malvadas no mundo. Graças ao meu signo solar, não me encaixo nesse grupo maléfico e vingativo (haha).  É em novembro que puxamos as memórias do ano e as classificamos, para que em dezembro possamos fazer novas promessas. Agora a maioria das pessoas começa a sentir mais leve, ou pesada, dependendo da avaliação anual.
Nos guiamos pelos dias, então é inegável que a mudança de mês influencia nossos pensamentos e atitudes. Não temos os mesmos pensamentos de abril em dezembro e vice-versa. Em março o desejo nacional era que o verão acabasse, agora a reza é para que ele comece logo. Mas uma coisa é certa: todos querem férias! Desapego do trabalho, desapego das aulas, desapego de pessoas anuais que só não fazem diferença a partir de novembro.
Que assim seja! Novo mês para um ano velho. Que venham os sorrisos acompanhados de esperanças. Que venham as propagandas de natal e réveillon, que cheguem os feriados, aniversários de pessoas especiais e novos amores, oriundos da estação.

Novembro com sensação de deveres cumpridos, acima de tudo. 


sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Jogo dos opostos


Incrível como meus pressentimentos tem acertado em tantas coisas. Acho que criei uma espécie de faro, já sei onde a encrenca se esconde e faço questão de encontrá-la.
Sempre achei que “os opostos se atraem” fosse um bom ditado. Acreditava que as pessoas podiam se complementar e aprender a viver com os defeitos alheios. Que pessoas com os mesmos gostos e formas de agir enjoariam facilmente uma da outra. Mas esse meu pensamento mudou e muito. Realmente, os opostos se atraem, mas não se suportam.
O desafio de conviver com alguém completamente diferente de você, com valores e ações distintas vai além do beijinho pra pedir desculpa. Nem todo mundo tem o dom da adaptação e principalmente, o dom da paciência. Aos poucos aqueles defeitos que antes até eram charme na outra pessoa, começam a se tornar insuportáveis e motivos de brigas constantes. Não é tão simples compreender e aceitar coisas que não são do nosso cotidiano, atitudes que não fazem parte do nosso feitio. As discordâncias se tornam excessivas, pelo cansaço em tentar manter firme uma relação que vive de brigas. No fim, é o fim.

No começo tudo é festa, mas depois resta fazer a limpeza e esperar que a sorte nos coloque no caminho de alguém mais... compatível. 


domingo, 24 de outubro de 2010

Under Pressure

Considero uma das mais belas músicas. "Under Pressure" foi uma parceria entre Queen e David Bowie, mas particularmente, prefiro uma versão criada pela banda Keane (da qual sou extremamente fã). Uma música que está sempre comigo, aonde quer que eu vá.  A letra dela diz muito! Vale a pena ouvir. Curtam uma versão ao vivo na voz de Chaplin.



"Cause love's such an old fashioned word..."

Amor com erro de digitação

Esse texto foi escrito há um certo tempo e também estava no outro blog. Ele se encaixa no "Medo hipócrita". Mostra como era minha visão e como ela sutilmente mudou, criando um certo "antes e depois". Se me faltava medo para ser mais realista, agora ele existe. Evolução? Talvez. 


Daí você encontra aquela pessoa legal, divertida e bonita. Vocês se envolvem e puxa vida, tudo vai tão bem! Até aquelas típicas frases: não sei o que sinto, estou confuso (a), você é a pessoa certa na hora errada, e todas aquelas desculpas “esfarrapadas” de sempre.
Pois bem, você chegou a nossa era. A era do amor descartável, do amor passageiro.
As pessoas são úteis para as outras por um tempo determinado. Enquanto os defeitos não aparecem, enquanto outra pessoa não aparece, enquanto a paixão não desaparece.
Mas sabe o que é o pior? A maioria não tem culpa disso. É algo que está nos acompanhando há algum tempo já, aquela coisa de ficar com várias pessoas, experimentar tudo, não se apegar em ninguém, etc. Dando minha opinião direta já, acho a maior idiotice tudo isso. Só que eu procuro defender o que penso, além de dizer que é errado, agindo da forma que defendo: não fico com várias pessoas, não tenho medo de me apegar. Aliás, esse tal medo de se apegar, é a pior covardia do século XXI. 
Mas voltando a explicação do amor descartável, digo que todos querem um lugar seguro para estarem, todos querem alguém do seu lado. Porém, ao mesmo tempo não querem, querem curtir a vida, fazer festa, pegar e experimentar o maior número de seres que passarem na frente. Até por que, nunca se sabe quando a pessoa “certa” está na nossa frente, mas então... qual o problema de tentar? O problema é que enquanto você está tentando, outras mil pessoas mais interessantes passam por você, e seu medo é estar perdendo tudo aquilo, ou ainda o medo de sofrer quando acaba. Nada mais correto do que evitar sofrimento não? Mas às vezes é evitando sofrimento que se perdem oportunidades de ser mais feliz. Mais feliz porque se deve ser feliz sozinho, outra pessoa deve complementar essa felicidade, mas nunca ser ela.
Enfim, por mais que eu tenha me tornado mais realista depois de quebrar a cara, ainda preservo meu estilo antigo, de acreditar nas pessoas e não ter medo.  E mesmo pensando assim, tento evitar ao máximo fazer quem eu gosto sofrer, por mais que algumas pessoas mereçam isso. É esse amor com erro de digitação, esse amor atirado por aí, que na verdade ninguém sabe o que é, mas denomina amor, que acaba transformando situações legais em tristezas. Falta coragem e ao mesmo tempo medo em todo mundo. Falta tolerância e falta diretismo. Mas falta principalmente respeito, o pensar no outro, pensar no que pode e não pode acontecer, pensar e respeitar. Resta desejar isso, que todos pensem e aproveitem mais, sem usar o amor como objeto de tudo, porque amor não é isso. Não queria definir amor, porque é bem mais simples dizer o que ele não é. Mesmo assim, na minha opinião, amor é aquilo que acontece quando duas pessoas estão sentadas por aí conversando há horas e nem percebem, mas cada um controla fortemente a vontade de beijar e abraçar o outro.

Porque amor talvez seja isso, não perceber que ele existe, mas mesmo assim ele estar ali. 


sábado, 23 de outubro de 2010

Medo hipócrita


Medo, pois é. Nunca, mas nunca mesmo, pensei que sentiria medo por esse tipo de coisa. Não sei se é medo realmente, mas a sensação não se explica com outra palavra.
Sempre condenei e de certa forma detestei pessoas que tem medo de relacionamentos. Aquelas pessoas que dizem não querer se envolver, e que de fato, fazem de tudo para isso. Evitam todas as formas se apegar a alguém e iniciar um relacionamento mais sério. Algumas por amor à solteirice, outras por amor à liberdade e outras para evitar incômodos. Sempre achei uma grande besteira isso, pois acredito que devemos viver as situações que são colocadas na nossa frente durante a vida. Claro, algumas vezes não devemos insistir em algo ou alguém, porque de vez em quando temos visão limpa sobre o que vai acontecer e o correto é evitar. Eu era assim, decidida a dar uma chance para que a felicidade me alcançasse.
Entretanto, depois de passar por situações ruins, mudei bastante.  Aprendi com tudo que aconteceu comigo e acabei me tornando de certa forma mais fria. Talvez não seja a palavra correta “frieza”, mas simplesmente acho que agora não vale mais a pena gostar de alguém. No fim das contas, sempre acabo me machucando, e não é pouco, sempre muito. Tudo isso porque quando me encanto por alguém, meu pensamento se dedica quase que em totalidade a essa pessoa. Muitas vezes não demonstro, mas dentro de mim o sentimento é gigante.
Cheguei à conclusão de que preciso um bom tempo pra mim. Só pra mim, sem incluir ninguém em especial aos meus planos e a minha tão amada rotina. Justo quando decido isso e começo a colocar em prática, surge alguém que vem pra mudar tudo isso. Incrível como quando a gente está só e completamente disponível, não aparece ninguém interessante e que nos faça ver estrelinhas novamente. Mas foi só eu definir minha nova estratégia de vida e pimba! Lá vem alguém legal pra tentar me enlouquecer e volta atrás de tudo que decidi. E agora? Medo. Tenho medo de novamente me decepcionar, medo de decepcionar alguém bacana, medo de me envolver de verdade e “perder” a liberdade que tenho. Tenho receio em deixar as coisas evoluírem e não poder mais voltar atrás. Receio de não ser o suficiente para uma pessoa que mostra ser tão especial. Receio de que ela não seja tão legal assim e me faça mal. Receio de uma nova situação que tenha o mesmo tipo de peças no jogo. Desse jeito fico eu aqui, numa dúvida besta sobre o que fazer. Meu ritmo calmo não consegue acompanhar tudo que acontece e acabo meio perdida, tentando decidir o que é melhor no momento. Vou deixar que as coisas aconteçam, e como acredito em destino, o que tiver de ser será! Mas esse medo... ai ai. Será que meu ídolo Carpinejar está certo quando diz “Liberdade na vida é ter um amor para se prender”?

Seja o que tiver de ser. Mas coração... vê se não seja burro tá? 

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Fidelidade de verdade


Fui ao mercado com minha mãe e meu pai hoje. Não pensei que uma saída rotineira como essa me levaria a pensar tão profundamente sobre certas coisas.
Como de praxe, meu pai permaneceu no estacionamento dentro do carro. Eu e minha mãe subimos para comprar várias porcarias necessárias para o fim de semana. Quando nos aproximávamos do caixa, percebi um mendigo que pagava uma garrafa de vinho vagabundo. Meu pensamento preconceituoso logo me disse “olha lá aquele bêbado comprando seu vício de novo”. Mas como esses pensamentos não permanecem em mim por muito tempo, senti pena e raciocinei que aquela era a única forma dele passar o tempo e manter-se vivo.
Descemos ao estacionamento e minha mãe, como sempre, encontrou uma amiga e parou para conversar. Fui até o carro e fiquei do lado de fora, observando o movimento e os carros que se apertavam no estacionamento lotado em um dia de chuva. Reparei em um canto escuro que tinha algumas sacolas, um cachorro branco sentado e um mendigo com sua garrafa de vinho. Lá estava ele. Acendeu um cigarro, sentou-se no chão e começou a procurar algo. O cachorro acompanhava cada movimento atento. Não aparentava maus tratos ou magreza, era um cão saudável. O mendigo puxou uma sacola que continha alguns pastéis, que não deveriam ter custado mais que R$3,00. No ato pensei: ele não pode fazer isso, se der para o cachorro, fica sem comida. O cãozinho observava os movimentos atentamente, esperando algo que pudesse matar sua fome. Estava sentado, acabou deitando na espera de comida. Mas não, ela não veio. Os pastéis foram guardados novamente em algum canto. Aquele homem sabia que provavelmente, ele e seu companheiro, não teriam outra refeição tão cedo e que não poderiam sobreviver apenas com vinho. O cachorro branco deitou-se ao lado do mendigo e dormiu, enquanto seu dono bebia o vinho e fumava.
Moral da história: se aquele cão fosse uma pessoa, permaneceria ali? Fiquei pensando sobre a mediocridade do ser humano. Quando nós não gostamos das atitudes de alguém, julgamos de peito estufado e falamos tudo de mal que existir sobre ela. Geralmente, nos tornamos amigos de uma pessoa que julgamos “decente”. Não saímos por aí seguindo meninos de rua, convidando eles para uma festa, oferecendo uma bebida. Nossa própria criação impede que isso aconteça e nos envergonhamos por qualquer anormalidade que se aproxime de nossas vidas. Diferenças sociais, diferenças sexuais, diferenças de pensamentos. Isso nos distancia e nos faz achar que somos melhores, ponto final. O cachorro é sempre citado como melhor amigo do homem, e eu digo: cães são os melhores exemplos para o homem. Eles ficam quando todos se vão. O cachorrinho branco ficou quando toda a sociedade deus as costas para o mendigo. Ele ficou ali, permaneceu ao lado, mesmo quando o seu dono lhe negou comida. E ele não tem a inteligência para pensar que o homem apenas guardou o alimento para quando fosse mais necessário e urgente. Foi fiel e companheiro. Coisa que nenhuma pessoa consegue ser hoje em dia porque somos movidos pelo egoísmo e orgulho. Basta um erro alheio e largamos de mão, penduramos as chuteiras e abandonamos o barco. Afinal, existem muitas pessoas no mundo que podem ser úteis sem nos incomodar.
Se seu amigo perdesse tudo e fosse morar na rua, pedir esmola e comer lixo... você continuaria sendo amigo (a) dele? Continuaria ao seu lado, sentaria na calçada com ele (a) e defenderia ele do mundo? Se não houvesse escolha, se tudo isso acontecesse e você não pudesse ajudar, pudesse apenas oferecer companhia incondicional, permaneceria lá? Pra quem disse sim, me desculpe, mas eu queria a verdade. Ninguém mais larga o próprio mundo para apoiar o do outro. Percebe-se isso quando passamos por catadores de lixo, mendigos, crianças pobres e simplesmente enxergamos o outro lado da rua.   

Os cães permanecem, os humanos fingem que não conhecem. 

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Perfume na alma

Aos meus amigos, aos amores, à época, às flores. 



Estava aqui à toa hoje à tarde e senti um perfume que me levou há muito tempo atrás. Não sei de onde veio, não sei se foi algo da minha cabeça, só sei que senti. Foi como voltar no tempo e reviver várias situações e pessoas em pouquíssimo tempo.
Parei pra pensar e percebi como os cheiros nos marcam. Eles marcam de uma forma completamente diferente das outras coisas, como imagens e toques. O cheiro é algo que fica naquela porta à direita do corredor da alma, completamente escondido. Não é possível revivê-lo quando queremos, porque ele não surge no ar assim do nada. Não é tão simples como acessar a foto de alguém, como encontrar uma pessoa, como se lembrar de situações.
O cheiro de alguém é algo guardado num dos baús mais importantes da nossa mente. Tão bem guardado que dificilmente encontramos pra lembrarmos. O cheiro de alguém especial geralmente nunca mais é sentido. O perfume já é algo mais tangível, basta que alguma pessoa com a má sorte de comprar o mesmo frasco passe por nós na rua e pronto: lá vem a lembrança de alguém ou de uma época.
Mas não foi isso que aconteceu comigo. Eu simplesmente senti aqui no quarto o perfume que me marcou profundamente. Acho que minha própria consciência estava passeando por uma época bacana de minha vida e resolveu me cutucar com aquele cheiro. Eu atendi. Senti, respirei fundo e quando tentei novamente sentir, ele já tinha se ido. Acredito que esse era o propósito: fazer com que eu me lembrasse de uma maneira tão boa, mas ao mesmo tempo, entendesse que aquilo tudo é passado. Como eu li em algum lugar dias atrás: “a memória tem a mania de apagar as coisas ruins e nos fazer lembrar apenas das coisas boas que passaram.” De fato, foi exatamente isso.

Aquele cheiro que já esteve tão próximo e agora não passa de uma lembrança perdida. 

Essência perdida

Esse é outro texto que estava no antigo blog. É um tanto quanto grande, mas a mensagem que tento passar nele representa muito pra mim, talvez por isso o tamanho gigantesco.


Egoísmo. Dizem por aí que é o bem do século, a solução para os sofrimentos e outras coisas. Ser egoísta está na moda, afinal, devemos nos preocupar com o nosso bem estar. Se cada um fosse “um pouco mais egoísta” tudo seria melhor. Ninguém sofreria, faríamos as melhores escolhas, libertaríamos almas.
Não. O que ninguém percebe é que existe uma longa diferença entre ser egoísta e pensar em sim mesmo. Ao longo dos anos perdemos nossa sensibilidade, perdemos nosso dom de pensar nas pessoas que nos rodeiam, perdemos o que de mais valioso um ser pode ter. Está na essência do ser humano o amor, o respeito, essa sensibilidade de que falo. Então por que mudamos? Por que passamos a nos importar mais com o que vamos sentir do que com o que outra pessoa vai sentir? Porque achamos correto. Achamos certo estar com a consciência limpa, certo não sofrer, certo não derramar lágrimas por ninguém. Então, evitamos tudo que possa causar isso. Evitamos tanto, que chegamos a agir contra os outros, mesmo sem perceber. Nossas escolhas egoístas que levam outras pessoas a sofrer, mas que nos deixam bem. Isso é o certo hoje em dia, isso é o que todos buscam. Talvez por isso eu esteja com tanta vontade de ir embora, tentar algo novo, buscar o que me falta em outro lugar.
A maioria das pessoas que realmente me conhecem, me definem como uma boba e ingênua quando se trata de relacionamentos, amores e afins. Tudo porque ainda acredito no amor, acredito em uma pessoa especial, acredito na sensibilidade do ser humano. Não mecho um dedo se for para prejudicar alguém. Confio nas pessoas de uma forma quase cega. As decepções são inevitáveis, porque como disse antes, todos buscam tirar vantagem em todas as situações. Isso inclui relacionamentos de todos os tipos, por isso, sempre acabo na mesma. Meus sentimentos são tão puros que tenho pensado em deixá-los guardados aqui, dentro de mim apenas. Até hoje, nunca tive a reciprocidade que esperava quando os mostrei. A cada dia me convenço que não pertenço a esse mundo, não esse mundo de agora. Esse mundo em que todos tentam tirar vantagem de algo, o egoísmo é maior do que qualquer sentimento existente, o eu sempre vem antes do “nós” ou de “você”.  Não sei se ainda existe espaço pra mim e o pingo de pessoas que pensam como eu. Não vou negar que já tentei me adaptar. Já tentei sim tirar vantagens, já tentei sim usar pessoas, já tentei ser fria e calculista. Mas não, minha essência sempre acaba me vencendo, como agora. Voltei ao início, depois de passar por tantas situações ruins, depois de ter demonstrado sentimentos que ninguém compreende, depois de ter entendido como as coisas funcionam agora. Voltei, voltei e não pretendo tentar mudar de novo. Vou continuar assim, acreditando, tentando, amando.
Sinceramente, não acredito que as pessoas vão entender o que digo. Muito menos que irão mudar um dia. A tendência é cada vez mais o egoísmo se confunda com o “pensar em si mesmo”.  Isso é fato. Entretanto, egoísmo é quando você prejudica alguém pra ficar bem. É quando mesmo sem querer, você afeta a vida de outra pessoa com suas escolhas egoístas. Pensar em si mesmo é saber optar pelo melhor para si, mas sem fazer mal a outra pessoa. Sempre existe uma alternativa, sempre podemos ficar bem e deixar o outro bem. Ninguém é de ferro. Digo isso porque tento todos os dias me convencer que sou forte, mas percebo em todos esses dias que não sou. Não posso superar todas as escolhas egoístas de outras pessoas que me fizeram mal. E  me fazem mal pelo simples fato de eu não ser como todo mundo. Mas tudo bem, encaro e aprendo a lidar com isso. Mas mudar não mudarei. Evitar tais sofrimentos é covardia. A vida é feita de choros e risos. Evitar situações é perder oportunidades que talvez nunca mais voltem.
Às vezes nem eu entendo a grandeza do que sinto. Não entendo como posso me encantar por pessoas que pensam tão diferente de mim, que nunca vão compreender o tamanho do meu sentimento e o que significa pra mim. Mas na verdade deixei de me importar com isso. Sentir pra mim está sendo tão importante quanto compreender. Transformar tudo que penso em textos tem ajudado, me manter sozinha por um bom tempo também. Espero que um dia encontre alguém que respeite o que sinto. Não peço que seja igual a mim, mas que pelo menos valorize o que sou. Porque sou mais emoção do que razão, e isso não vai mudar.  

Danem-se realistas, os sonhos é que movem o mundo. O meu mundo. 


Ah, o verão!


Parece que chegou o verão. Estação que sinceramente, detesto.
Na verdade ainda estamos na primavera, mas como o povo sulista é acostumado com frio, esse calorzinho irritante já é considerado a estação das férias e ouve-se por aí “o que será da gente no verão, não é?”. Pois é, o que será da gente no verão?
Essa estação é maldita. No verão a maioria dos casais se desfaz. No verão casais que durarão um mês se unem.  No verão todo mundo fica mole. No verão, quem não pode passar o dia inteiro dentro de uma piscina, sofre com as 500 trocas de roupas diárias. No verão é todo mundo com menos roupa e menos vergonha.
Mas não serei hipócrita nesse texto, dizendo que o verão só tem coisas ruins. Ah, o verão. Começando pelo horário, que nos deixa mais tempo acordado e mais tempo na rua. Nessa estação, velhos e novos amigos se encontram, se divertem, aproveitam a vida no sentido mais amplo possível. Acampamento, domingo na piscina, praia em janeiro, carnaval em fevereiro, arrependimento em março.
Como não poderia deixar de explicar, relacionamentos sofrem grandes mudanças no verão. Já dizia um grande amigo meu: nunca e jamais, comece um relacionamento a partir de outubro. Nessa estação as pessoas se sentem mais livres, manter um relacionamento em pleno veranico é tarefa para fortes. Eu diria que 30% dos relacionamentos continuam, 20% continuam com um dos dois chifrados, e os outros 50% terminam ou dão um “tempo”. Ah mas eu amo ele (a) em todos as estações do ano. Ama? Tem certeza? Um (a) sarado (a) se aproxima de você naquela festa beira mar e simplesmente sussurra no seu ouvido aquilo que seu namorado (a) não disse durante 5 anos de namoro. E aí? Não se pode negar que no verão as necessidades físicas superam as emocionais. No verão não é tão agradável dormir junto, não é confortável passar uma tarde agarrado com alguém no sofá de casa, não é bacana ter que cancelar aquela folia com os amigos para passar a noite assistindo filmes com uma pessoa.
Pois é, o verão foi feito para os não carentes e para os que são carentes apenas no inverno. Eu? Sou carente o ano inteiro. Faria parte daqueles 30% que comentei antes, se dependesse unicamente de mim. Mas como um casal é composto de duas pessoas, não se pode ter certeza de nada. A única certeza que tenho é que uma pessoa ao meu lado no verão seria tão ou mais feliz do que no inverno. Sou festa, sou calmaria, sou banho de chuva, sou fim de semana sozinha, sou liberdade com respeito.

Verão nem me afeta.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Pequena grande alegria

Esse texto estava no outro blog, mas como gostei bastante dele, trouxe para cá.


Vejo tanta gente emocionada por ter pegado x pessoas na noite anterior, tanta gente pensando na próxima festa, no próximo furto de namorado (a). Engraçado como eu acho tudo tão idiota. Como essas coisas simplesmente nunca fizeram a minha vida mais feliz (a não ser a bebida haha).  
Sempre valorizei as coisas simples. Aquelas coisas tão pequenas que às vezes ninguém percebe a grandeza que as rodeia. Todo mundo acha “Cult” falar que ama as coisas simples da vida. Mas falar é tão fácil.
Quando a gente gosta de alguém quer ter sempre a pessoa por perto. Mas ninguém valoriza aquele silêncio que fica entre os dois, aqueles sorrisos tímidos de recém apaixonados, aquelas conversas longas e que geram tantas discussões bobinhas. Aquele pensamento perdido no meio tarde, a lembrança do cheiro, da forma de falar, dos ciúmes sem fundamento. Nesse nosso mundo, o que vale é mostrar para o mundo quem você está pegando dessa vez.
Eu quero dividir coisas simples. Não quero grandes viagens para o exterior, não quero alguém abandonando o seu próprio mundo por mim, não quero declarações públicas e escandalosas. Quero a mão entrelaçada, o olhar perdido e o riso quando encontra outro olhar. Quero aquele eu te amo na tarde de uma quinta-feira sem graça. Quero liberdade, sair só e sentir saudade da companhia de sempre. Aquele esforço para se enturmar com os novos amigos, aquelas festas em que não se chega a entrar, aquele pôr do sol depois de um dia junto. Uma manhã com Coca-Cola depois de uma noite de conversas e cochilos, e talvez depois daquele filme que nenhum conseguiu assistir. O violão em um domingo à tarde ou em uma praia nas férias. A saudade por passar uma, duas, três semanas sem se ver, ou por passar um dia sem ouvir a voz, ou um minuto sem o som da risada. Quero planos, mesmo que eles nunca se concretizem. Dividir as tristezas e ouvir um “vai dar tudo certo”. Eu quero a conversa na varanda num fim de tarde.
Tudo tão simples e tão desperdiçado pela maioria. Devemos aproveitar a vida enquanto somos jovens, com toda certeza, mas talvez esse aproveitar seja encontrar a pessoa que vai preparar um café pra você depois daquela festa e ainda vai rir do quanto você está tropeçando.  

Presença é simples. Seja ela física ou psicológica. 

Recomeçando


Estou inaugurando um novo blog. É eu tinha outro blog, mas ninguém sabia. Na verdade duas pessoas sabiam: eu e meu querido amigo Rodrigo. Naquele blog estão os textos que escrevi até hoje, e que de fato, tinham como inspiração apenas uma pessoa. Por isso, resolvi inaugurar outro.
Esse blog marca um novo começo, um começo que venho há muito tempo tentando conquistar. Meu mundo sempre girou em torno de uma pessoa, tudo que eu escrevi tinha como objetivo transcrever o que eu passava tentando administrar um sentimento não correspondido. Resolvi que é hora de seguir em frente. Foram vários tombos e acho que já passou do momento de tentar esquecer. Não esquecer, mas deixar de lado, tirar do centro das minhas atenções. Todas as esperanças se acabaram e talvez por isso eu tenha decidido “mudar”. Não existem culpados, ou talvez exista um: eu. Porém, isso não vem mais ao caso. É uma nova etapa. Tanto para mim, quanto para o ser ao qual dediquei meus pensamentos durante tanto tempo. Esse blog vai hospedar novos sentimentos, novas visões, novos objetivos. Um mundo visto por mim de forma mais real e sem tanta influência daquele sentimento dito "amor". 

Que a vida siga seu curso.