sexta-feira, 2 de novembro de 2012

O passado vive



Me surgiu a vontade de escrever, dessa vez tão forte que parecia que meu peito ia explodir se não passasse pra algum lugar o que sentia.
Sabe, tenho pensado em você. Não de forma agressiva e nem leviana, apenas pensando. Tenho tanta coisa na garganta que nunca pude expressar, talvez por medo, talvez porque você não deixasse, talvez por falta de palavras. Mas a verdade é essa: ainda penso.
Só que agora com um sentimento de “passou”, de que foi tão bom, bom de uma forma que quando aconteceu não era! Incrível como o passado torna-se bonito quando você tem que encarar o presente.
Tenho lido textos que você gosta, ou pelo menos gostava. Me vejo há anos atrás, a sensação que tinha me vem de leve, serena... calma. Sinto falta da sua risada, da sua presença, da sua companhia do outro lado. Como isso aconteceu meu Deus? Foi tão forte que carimbou minha mente, transformou-se numa saudade plena, eterna e às vezes motivadora.
Aprendi tanto contigo, só não aprendi a me conformar com o que não aconteceu. Até hoje ainda penso “e se...” o que?!  O que seria de nós hoje? Eu não sei, você não sabe. Se tudo tem um objetivo nessa vida, o que não aconteceu foi bom. Por mais que nossas vidas tivessem se entrelaçado e continuadas juntas, talvez essa sensação de saudade doce não estivesse comigo. Mas eu queria ter tentado, ah como queria.
Às vezes me pego imaginando como está sua vida hoje, se tá tudo bem, se você lembra de mim quando algo acontece. Tenho saudade. Mas já não sei se é saudade de ti, acho que é saudade do que fomos. Saudade dos momentos que não vivemos. Saudade do cheiro, do clima, saudade de tudo que rodeou aqueles meses. Chorei, e tenho saudade até disso.
Acho que nunca vou me desfazer por completo do que dividimos. Posso exagerar nas coisas, mas pra mim foi importante e gigantesco. Aquele tipo de coisa tão marcante que você relembra quando fecha os olhos ou escuta uma música.
Tenho te visto por aí em outros rostos. Meio que uma assombração, complicado não? Meu carinho já se tornou uma profunda admiração. Lembro daqueles dias com tanta emoção que minha vontade é de me acabar em lágrimas. Mas logo paro e penso: não! Passou. Infelizmente uma das injustiças da vida é não poder voltar no tempo, não poder fazer as coisas de outra forma, não dar chance ao que poderia ser lindo.
Tudo isso me vem na cabeça por que estou sensível à vida. Momentos difíceis. Parece que a lembrança de algo vem pra te fortificar ou tentar acabar com você de uma vez por todas. Essa ansiedade no meu peito flui como um rio em meio às pedras. Nada segura, nada impede, qualquer coisa é motivo pra que uma enxurrada de lembranças e sentimentos passe por cima de mim. Não preciso de ajuda. Preciso de férias. 

Talvez precise de você na minha vida de novo.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Agnes, nenê



Minha mãe nunca me deixou ter um cachorro. Nunca é nunca mesmo. Por motivos pessoais dela, como por exemplo, ser viciada em limpeza.
Mas nessa última semana tive uma visita muito especial em minha vida e que me fez tão bem que resolvi escrever isso aqui.
Meu amor foi com sua família pra praia e deixou para mim a tarefa de cuidar da nossa filha: Agnes. Agnes é uma lhasa/shih tzu de 6 meses de idade. Ela foi um presente meu para o meu amor quando ainda tinha 2 meses de vida.
Um cachorro tão amável quanto sua dona. Brincalhona, esperta e educada. Me tirou o fôlego de tanto que brincava, mordia, corria. Extremamente carente e apegada a pessoas. Ela não podia ficar longe de ninguém, não podíamos nos movimentar porque ela corria ao nosso encontro como que pedindo “aonde você vai?”. E assim foi a semana inteira, aquela bolinha de pêlos brancos correndo pela casa com um sorriso na cara. Nunca me senti tão bem acompanhada por tanto tempo. Agnes foi uma companhia confiável e alegre. Me arrancou lágrimas quando o momento de devolvê-la pra sua dona se aproximou. Mas tudo que é bom dura pouco e essa foi apenas mais uma situação bem descrita por esse ditado.
Já escrevi um texto falando das qualidades que um cão tem, e escrevi antes de ter uma experiência próxima com um. Agora é tudo tão mais... real!
Eu podia xingar a Agnes quando ela fazia xixi no lugar errado. Ela ficava triste e ia pra baixo da cama. Mas era só chamar que ela voltava abanando o rabinho e louca por carinho.
É impossível que um ser humano seja assim (até porque não tem rabo). A ingenuidade, o olhar feliz, a alegria inexplicável quando me via chegar em casa... tudo tão puro e tão gostoso. Não importava se eu negava um pedaço do meu lanche ou se a ignorava enquanto estava jogando vídeo game: ela permanecia ao meu lado todo tempo. Até quando ia tomar banho, ela deitava no banheiro e aguardava pacientemente que eu terminasse.
Não sei o que senti durante essa semana, só sei que foi incrível. Pode ser que a minha carência natural tenha culpa nisso, mas mesmo assim sinto como se um anjo tivesse me acompanhado e transferido um pouco do seu amor pra mim. Já sinto saudades do ronco da pequena Agnes e de suas mordidas na minha mão. Linda, simplesmente uma vida que supera muitas existências humanas. Temos muito o que aprender com estes seres. 


domingo, 31 de julho de 2011


"Pode ser numa canção, pode ser no coração. Eu só quero ter você por perto.
(Pato Fu)