quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Se o tempo voltar...


Se eu disser que não deixei de pensar em você se quer um dia;
O tempo vai voltar?
Se eu disser que te busquei em rostos e corpos sem nenhum sucesso;
O tempo vai voltar?
Se eu disser que aquela palavra me machucou;
O tempo vai voltar?
Se eu disser que o esse seu sentimento não é o que eu quero;
O tempo vai voltar?
Se eu disser que continuo achando você a pessoa mais linda do mundo;
O tempo vai voltar?
Se eu disser que ainda sonho contigo;
O tempo vai voltar?
Se eu disser que nunca desisti, apenas cansei;
O tempo vai voltar?
Se eu disser que tenho ciúme de algo que nunca foi meu;
O tempo vai voltar?
Se eu disser que te protejo em pensamento a cada segundo;
O tempo vai voltar?
Se eu disser que menti quando falei que queria te ver feliz com alguém;
O tempo vai voltar?
Se eu disser que na verdade não queria que você encontrasse ninguém;
O tempo vai voltar?
Se eu disser que ainda imagino como teria sido o “nós”;
O tempo vai voltar?
Se eu disser que ainda espero um fim de tarde com você;
O tempo vai voltar?
Se eu disser que tenho medo que isso seja amor;
Você resolve me dar uma chance? 

sábado, 25 de dezembro de 2010

Forever alone


Tenho passado bastante tempo sozinha, e não estou reclamando, está bacana assim.
Cheguei a conclusão de que preciso de solidão, mais do que a maioria das pessoas.  Ficar sozinho te faz pensar mais, refletir mais, observar mais. Já isso não sei se é tão bom assim.
Eu não consigo passar muito tempo com as mesmas pessoas, eu enjôo. É involuntário, gostaria que a companhia dos outros fosse sempre algo bom e que me alegrasse. Mas sabe, não dá. Preciso do meu espaço, preciso pensar sozinha sobre meu dia, sobre minha vida, sobre o que farei ou não amanhã. Sem falar pra ninguém, eu e eu. E o meu eu não quer invasões.
Em uma dessas minhas reflexões sempre acabo pensando em coisas que me deixam pra baixo, mas acho que faz parte né? Nem tudo pode ser flores. Penso se realmente estou no caminho certo, de como tudo pode e vai mudar daqui um tempo, da saudade que mora em mim. De como os setores da minha vida poderiam ser diferentes, de como eu poderia ser diferente, e sim... penso demais em você. E isso me invade de tal forma, que me perco em pensamentos e esqueço de passar a música chata. É tão bom e tão complicado estar na minha companhia.
Por vezes recuso a vida lá fora pra me avaliar e me fazer companhia. Sei que posso estar perdendo aquele trago, aquela festa e aquele pessoal bacana. Às vezes chego a pensar naquela coisa de “estar só no meio de uma multidão”, pode até ser. Me falta algo. O exterior não tem muito poder sobre mim, meu interior me comanda. Ele diz pra ficar e pensar. Então eu fico, refletindo demais.
Coldplay tocando, meu bloco de anotações cheio da minha assinatura, o copo de Coca-Cola largado na mesa. Meu mundinho, meu eu tão simples. E mesmo com tudo isso preservado, sinto falta de mim mesma. Me perco tão facilmente em meus pensamentos que me pergunto se sou eu ou minha consciência liderando tudo. Talvez falte alguém para ser minha âncora e não deixar que eu saia do porto. Vai saber. O problema é encontrar a âncora e perder o mar, como já aconteceu.

O jeito é puxar um violão e contemplar essa solidão opcional. 

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

"O sal viria doce para os novos lábios..."


Eu me tornei você tão cedo...
Refleti sobre esse trecho da Reação em Cadeia por um bom tempo e cheguei a algumas conclusões, baseadas em minha (s) experiência (s). Não defino uma ou várias porque tenho partes de mim que desconheço a origem.
Pois bem, eu me tornei determinadas pessoas ao longo do tempo, analisando melhor, pouco tempo. Gírias, formas de agir e pensar, gostos, desgostos. Palavrinhas que não usava e que ainda travam na língua quando podem ser ditas para a pessoa “dona” de tal vocabulário. Formas de ver o mundo que antes não se encaixavam em meus princípios. E falando em princípios, todas as nossas ações são baseadas neles, cada um possui os seus. Me surpreendo ao pensar como o respeito e o amor que senti me fizeram mudar alguns dos meus princípios e adaptar os que já existiam.  Mudei gostos, somei novos, esqueci alguns. Interpretei situações de jeito diferente, tive novas primeiras impressões, repeti erros.
É incrível como isso acontece e não reparamos. Todas as pessoas que passam pela nossa vida deixam um pouco de si conosco. Cada ser é a soma de todos os outros que já cruzaram seu caminho. Por mais original que se pensa ser, não passamos dessa carga de vidas. E repassamos isso pra outras, e pegamos algo delas, e de repente encontramos alguém com gostos exatamente iguais ou parecidos. Tá aí a explicação: talvez a “alma gêmea” tenha um pouquinho de você e você dela, sem nem ao menos terem se cruzado em uma festa durante toda a vida. Se a tal alma gêmea nunca apareceu, considere-se com sorte. Na sua frente pode estar um mundo totalmente inexplorado, com ideias e visões novas para o seu mundo.
O som que eu ouço são as gírias do seu vocabulário, o que eu leio tem as letras do seu nome, o que eu escuto tem a sua melodia e o que eu vivo faz parte da sua vida.

Sem mais delongas, é o que me tornei: uma cópia estranha das pessoas que amei.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

No infinitivo


Talvez reclamar do calor
Puxar um balde de água e brincar no quintal
Discutir o que fazer no final de semana
Dizer tchau querendo ficar
Passar vergonha na frente dos pais
Morrer de ciúme
Inventar desculpas sinceras
Gostar
Ou ainda recuperar o tempo perdido
Conversar sobre bobagens
Rir dos amigos atrapalhados
Compartilhar a tristeza de uma briga
Ver o sol se pôr e mais tarde nascer
Se embebedar na mesma festa
Caminhar sem destino certo
Amar

sábado, 11 de dezembro de 2010

domingo, 5 de dezembro de 2010

Póstumo


Fazia algum tempo que uma pessoa “próxima” a mim não morria. Pois bem, o avô da minha prima faleceu esse final de semana, e mesmo não tendo parentesco sanguíneo comigo, senti algumas coisas estranhas e até engraçadas.
Algo que eu sempre pensei sobre morte é o quanto somos insignificantes. Nós somos o centro do mundo apenas para nós mesmos. As opiniões, o modo de ver as coisas, as reações, as generalizações que vivemos fazendo, as dores. Só são assim para você ou eu. O “resto” do universo pensa diferente e a maioria nem sabe da sua existência.
Que existem pessoas que se importam com você é fato. Porém, o mundo não vai parar de girar se você desaparecer, as pessoas não deixarão de viver se você não existir. A única coisa que vai deixar de existir é o seu mundo, você. Na vida observamos tudo pelos nossos olhos e da nossa forma, vivendo como se fomos um imã: tudo acontecendo ao nosso redor. De repente, isso simplesmente deixa de existir, some. Assim, do nada. Passamos anos e anos correndo atrás da felicidade, do carro vermelho, da casa na praia. E em um instante tudo isso deixa de ser importante.
Não estou tentando reduzir a vida a pó, mas explicar como somos solitários e egoístas, involuntariamente. Isso está no nosso sangue, no nosso coração e na nossa mente. Todo mundo que conhecemos vai chorar no dia em que partirmos, mas daqui a alguns anos, eles que deixarão de estar presentes, por eles que alguém derramará lágrimas. É um ciclo que não termina. Famílias ficam menores, sobrenomes se perdem, vidas desaparecem. Em uma hora você está ali, na outra não está mais. Simples e complicado ao mesmo tempo.
Enfim, sou uma daquelas pessoas que não quer choro no velório. Toquem Losing Touch do The Killers e falem das besteiras que eu fiz durante a vida. O mundo continua a girar e todas as pessoas têm suas vidas para cuidar. Somos importantes, sim.  Mas depois do enterro, o que vale é as lembranças. Nada de suicídios, choros prolongados e tristeza profunda. Isso vale para o momento, mas tudo continua. Sad but true.

E sempre que eu vou num velório fico imaginando que o morto vai levantar e todo mundo sairá correndo. É.


quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Retrospectiva bilateral


Talvez não seja o momento correto de falar sobre meu 2010, porque ele ainda não acabou, mas já que estou mais relaxada agora e as aulas praticamente acabaram, aproveito pra comentar sobre ele.
Foi um ano louco. É, louco. Passei por coisas que nunca havia passado, experiências que me serviram de base para o que me tornei. O espantoso pra mim é que tudo isso tenha ocorrido apenas em um ano. E sim, me refiro ao campo emocional principalmente. Profissionalmente também passei por situações que me incharam a cabeça com conhecimento e visão de mundo. Estou chegando ao final de 2010 da forma como entrei. Estou diferente, me sinto diferente, todo mundo vê.
Profissionalmente falando, foi um ano de iniciação pra mim. Trabalhei! Isso nunca foi preocupação pra mim, nunca foi um objetivo (não enquanto estudasse), nunca fez parte da minha vidinha calma. Aprendi a lidar com pessoas, pessoas estranhas, pessoas bravas, pessoas alegres, enfim... pessoas. E elas continuam me assustando, mesmo depois de ter me relacionado com tantas nos meses que trabalhei. Após essas experiências profissionais, fiquei com a certeza de que estou fazendo e estudando o que gosto. É aí que encontrarei minha tranqüilidade agitada, aquela que eu quero pro meu futuro.
Emocionalmente, passei por tantas situações que nem sei como descrever corretamente. Minhas visões não mudaram tanto, apesar de eu ter vários motivos para querer manter distância de relacionamentos. Entrei em 2010 sem muita preocupação em encontrar alguém, afinal, meu coração não queria. Ele já tinha alguém. Mas continuei como todo mundo faz, tentando manter uma alegria substituta. Eis então que surgiram pessoas, relacionamentos e encantamentos temporários. Temporários, apenas. Realmente não posso chorar pelas coisas que aconteceram, porque no fim das contas, as pessoas que encontrei curaram por determinado tempo a minha carência natural. O que era pra ser, o tempo que devia durar, o quanto eu devia gostar: tudo foi certo. Saio de 2010 da mesma forma que entrei. Sabendo de quem gosto, mas tendo a certeza que outras pessoas virão, outros encantamentos e quem sabe, algo mais seguro para eu repousar.
Todas as coisas que aconteceram nesse ano mudaram minha forma de ser. Me tornei mais realista, mais objetiva, mais chata. Mas não me traio. Sou fiel aos meus princípios e idéias, por isso continuo a mesma, apenas em uma versão adaptada às situações da vida. Ainda acredito no meu mundo, nas pessoas dele e principalmente, em mim. Que venha 2011 com suas surpresas e efeitos. Eu preciso mudar mais, mas sempre do mesmo jeito, devagar.  

"Eu continuo aqui, com meu trabalho e meus amigos. E me lembro de você, em dias assim... dia de chuva e dia de sol."