quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Perfume na alma

Aos meus amigos, aos amores, à época, às flores. 



Estava aqui à toa hoje à tarde e senti um perfume que me levou há muito tempo atrás. Não sei de onde veio, não sei se foi algo da minha cabeça, só sei que senti. Foi como voltar no tempo e reviver várias situações e pessoas em pouquíssimo tempo.
Parei pra pensar e percebi como os cheiros nos marcam. Eles marcam de uma forma completamente diferente das outras coisas, como imagens e toques. O cheiro é algo que fica naquela porta à direita do corredor da alma, completamente escondido. Não é possível revivê-lo quando queremos, porque ele não surge no ar assim do nada. Não é tão simples como acessar a foto de alguém, como encontrar uma pessoa, como se lembrar de situações.
O cheiro de alguém é algo guardado num dos baús mais importantes da nossa mente. Tão bem guardado que dificilmente encontramos pra lembrarmos. O cheiro de alguém especial geralmente nunca mais é sentido. O perfume já é algo mais tangível, basta que alguma pessoa com a má sorte de comprar o mesmo frasco passe por nós na rua e pronto: lá vem a lembrança de alguém ou de uma época.
Mas não foi isso que aconteceu comigo. Eu simplesmente senti aqui no quarto o perfume que me marcou profundamente. Acho que minha própria consciência estava passeando por uma época bacana de minha vida e resolveu me cutucar com aquele cheiro. Eu atendi. Senti, respirei fundo e quando tentei novamente sentir, ele já tinha se ido. Acredito que esse era o propósito: fazer com que eu me lembrasse de uma maneira tão boa, mas ao mesmo tempo, entendesse que aquilo tudo é passado. Como eu li em algum lugar dias atrás: “a memória tem a mania de apagar as coisas ruins e nos fazer lembrar apenas das coisas boas que passaram.” De fato, foi exatamente isso.

Aquele cheiro que já esteve tão próximo e agora não passa de uma lembrança perdida. 

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