sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Jogo dos opostos


Incrível como meus pressentimentos tem acertado em tantas coisas. Acho que criei uma espécie de faro, já sei onde a encrenca se esconde e faço questão de encontrá-la.
Sempre achei que “os opostos se atraem” fosse um bom ditado. Acreditava que as pessoas podiam se complementar e aprender a viver com os defeitos alheios. Que pessoas com os mesmos gostos e formas de agir enjoariam facilmente uma da outra. Mas esse meu pensamento mudou e muito. Realmente, os opostos se atraem, mas não se suportam.
O desafio de conviver com alguém completamente diferente de você, com valores e ações distintas vai além do beijinho pra pedir desculpa. Nem todo mundo tem o dom da adaptação e principalmente, o dom da paciência. Aos poucos aqueles defeitos que antes até eram charme na outra pessoa, começam a se tornar insuportáveis e motivos de brigas constantes. Não é tão simples compreender e aceitar coisas que não são do nosso cotidiano, atitudes que não fazem parte do nosso feitio. As discordâncias se tornam excessivas, pelo cansaço em tentar manter firme uma relação que vive de brigas. No fim, é o fim.

No começo tudo é festa, mas depois resta fazer a limpeza e esperar que a sorte nos coloque no caminho de alguém mais... compatível. 


domingo, 24 de outubro de 2010

Under Pressure

Considero uma das mais belas músicas. "Under Pressure" foi uma parceria entre Queen e David Bowie, mas particularmente, prefiro uma versão criada pela banda Keane (da qual sou extremamente fã). Uma música que está sempre comigo, aonde quer que eu vá.  A letra dela diz muito! Vale a pena ouvir. Curtam uma versão ao vivo na voz de Chaplin.



"Cause love's such an old fashioned word..."

Amor com erro de digitação

Esse texto foi escrito há um certo tempo e também estava no outro blog. Ele se encaixa no "Medo hipócrita". Mostra como era minha visão e como ela sutilmente mudou, criando um certo "antes e depois". Se me faltava medo para ser mais realista, agora ele existe. Evolução? Talvez. 


Daí você encontra aquela pessoa legal, divertida e bonita. Vocês se envolvem e puxa vida, tudo vai tão bem! Até aquelas típicas frases: não sei o que sinto, estou confuso (a), você é a pessoa certa na hora errada, e todas aquelas desculpas “esfarrapadas” de sempre.
Pois bem, você chegou a nossa era. A era do amor descartável, do amor passageiro.
As pessoas são úteis para as outras por um tempo determinado. Enquanto os defeitos não aparecem, enquanto outra pessoa não aparece, enquanto a paixão não desaparece.
Mas sabe o que é o pior? A maioria não tem culpa disso. É algo que está nos acompanhando há algum tempo já, aquela coisa de ficar com várias pessoas, experimentar tudo, não se apegar em ninguém, etc. Dando minha opinião direta já, acho a maior idiotice tudo isso. Só que eu procuro defender o que penso, além de dizer que é errado, agindo da forma que defendo: não fico com várias pessoas, não tenho medo de me apegar. Aliás, esse tal medo de se apegar, é a pior covardia do século XXI. 
Mas voltando a explicação do amor descartável, digo que todos querem um lugar seguro para estarem, todos querem alguém do seu lado. Porém, ao mesmo tempo não querem, querem curtir a vida, fazer festa, pegar e experimentar o maior número de seres que passarem na frente. Até por que, nunca se sabe quando a pessoa “certa” está na nossa frente, mas então... qual o problema de tentar? O problema é que enquanto você está tentando, outras mil pessoas mais interessantes passam por você, e seu medo é estar perdendo tudo aquilo, ou ainda o medo de sofrer quando acaba. Nada mais correto do que evitar sofrimento não? Mas às vezes é evitando sofrimento que se perdem oportunidades de ser mais feliz. Mais feliz porque se deve ser feliz sozinho, outra pessoa deve complementar essa felicidade, mas nunca ser ela.
Enfim, por mais que eu tenha me tornado mais realista depois de quebrar a cara, ainda preservo meu estilo antigo, de acreditar nas pessoas e não ter medo.  E mesmo pensando assim, tento evitar ao máximo fazer quem eu gosto sofrer, por mais que algumas pessoas mereçam isso. É esse amor com erro de digitação, esse amor atirado por aí, que na verdade ninguém sabe o que é, mas denomina amor, que acaba transformando situações legais em tristezas. Falta coragem e ao mesmo tempo medo em todo mundo. Falta tolerância e falta diretismo. Mas falta principalmente respeito, o pensar no outro, pensar no que pode e não pode acontecer, pensar e respeitar. Resta desejar isso, que todos pensem e aproveitem mais, sem usar o amor como objeto de tudo, porque amor não é isso. Não queria definir amor, porque é bem mais simples dizer o que ele não é. Mesmo assim, na minha opinião, amor é aquilo que acontece quando duas pessoas estão sentadas por aí conversando há horas e nem percebem, mas cada um controla fortemente a vontade de beijar e abraçar o outro.

Porque amor talvez seja isso, não perceber que ele existe, mas mesmo assim ele estar ali. 


sábado, 23 de outubro de 2010

Medo hipócrita


Medo, pois é. Nunca, mas nunca mesmo, pensei que sentiria medo por esse tipo de coisa. Não sei se é medo realmente, mas a sensação não se explica com outra palavra.
Sempre condenei e de certa forma detestei pessoas que tem medo de relacionamentos. Aquelas pessoas que dizem não querer se envolver, e que de fato, fazem de tudo para isso. Evitam todas as formas se apegar a alguém e iniciar um relacionamento mais sério. Algumas por amor à solteirice, outras por amor à liberdade e outras para evitar incômodos. Sempre achei uma grande besteira isso, pois acredito que devemos viver as situações que são colocadas na nossa frente durante a vida. Claro, algumas vezes não devemos insistir em algo ou alguém, porque de vez em quando temos visão limpa sobre o que vai acontecer e o correto é evitar. Eu era assim, decidida a dar uma chance para que a felicidade me alcançasse.
Entretanto, depois de passar por situações ruins, mudei bastante.  Aprendi com tudo que aconteceu comigo e acabei me tornando de certa forma mais fria. Talvez não seja a palavra correta “frieza”, mas simplesmente acho que agora não vale mais a pena gostar de alguém. No fim das contas, sempre acabo me machucando, e não é pouco, sempre muito. Tudo isso porque quando me encanto por alguém, meu pensamento se dedica quase que em totalidade a essa pessoa. Muitas vezes não demonstro, mas dentro de mim o sentimento é gigante.
Cheguei à conclusão de que preciso um bom tempo pra mim. Só pra mim, sem incluir ninguém em especial aos meus planos e a minha tão amada rotina. Justo quando decido isso e começo a colocar em prática, surge alguém que vem pra mudar tudo isso. Incrível como quando a gente está só e completamente disponível, não aparece ninguém interessante e que nos faça ver estrelinhas novamente. Mas foi só eu definir minha nova estratégia de vida e pimba! Lá vem alguém legal pra tentar me enlouquecer e volta atrás de tudo que decidi. E agora? Medo. Tenho medo de novamente me decepcionar, medo de decepcionar alguém bacana, medo de me envolver de verdade e “perder” a liberdade que tenho. Tenho receio em deixar as coisas evoluírem e não poder mais voltar atrás. Receio de não ser o suficiente para uma pessoa que mostra ser tão especial. Receio de que ela não seja tão legal assim e me faça mal. Receio de uma nova situação que tenha o mesmo tipo de peças no jogo. Desse jeito fico eu aqui, numa dúvida besta sobre o que fazer. Meu ritmo calmo não consegue acompanhar tudo que acontece e acabo meio perdida, tentando decidir o que é melhor no momento. Vou deixar que as coisas aconteçam, e como acredito em destino, o que tiver de ser será! Mas esse medo... ai ai. Será que meu ídolo Carpinejar está certo quando diz “Liberdade na vida é ter um amor para se prender”?

Seja o que tiver de ser. Mas coração... vê se não seja burro tá? 

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Fidelidade de verdade


Fui ao mercado com minha mãe e meu pai hoje. Não pensei que uma saída rotineira como essa me levaria a pensar tão profundamente sobre certas coisas.
Como de praxe, meu pai permaneceu no estacionamento dentro do carro. Eu e minha mãe subimos para comprar várias porcarias necessárias para o fim de semana. Quando nos aproximávamos do caixa, percebi um mendigo que pagava uma garrafa de vinho vagabundo. Meu pensamento preconceituoso logo me disse “olha lá aquele bêbado comprando seu vício de novo”. Mas como esses pensamentos não permanecem em mim por muito tempo, senti pena e raciocinei que aquela era a única forma dele passar o tempo e manter-se vivo.
Descemos ao estacionamento e minha mãe, como sempre, encontrou uma amiga e parou para conversar. Fui até o carro e fiquei do lado de fora, observando o movimento e os carros que se apertavam no estacionamento lotado em um dia de chuva. Reparei em um canto escuro que tinha algumas sacolas, um cachorro branco sentado e um mendigo com sua garrafa de vinho. Lá estava ele. Acendeu um cigarro, sentou-se no chão e começou a procurar algo. O cachorro acompanhava cada movimento atento. Não aparentava maus tratos ou magreza, era um cão saudável. O mendigo puxou uma sacola que continha alguns pastéis, que não deveriam ter custado mais que R$3,00. No ato pensei: ele não pode fazer isso, se der para o cachorro, fica sem comida. O cãozinho observava os movimentos atentamente, esperando algo que pudesse matar sua fome. Estava sentado, acabou deitando na espera de comida. Mas não, ela não veio. Os pastéis foram guardados novamente em algum canto. Aquele homem sabia que provavelmente, ele e seu companheiro, não teriam outra refeição tão cedo e que não poderiam sobreviver apenas com vinho. O cachorro branco deitou-se ao lado do mendigo e dormiu, enquanto seu dono bebia o vinho e fumava.
Moral da história: se aquele cão fosse uma pessoa, permaneceria ali? Fiquei pensando sobre a mediocridade do ser humano. Quando nós não gostamos das atitudes de alguém, julgamos de peito estufado e falamos tudo de mal que existir sobre ela. Geralmente, nos tornamos amigos de uma pessoa que julgamos “decente”. Não saímos por aí seguindo meninos de rua, convidando eles para uma festa, oferecendo uma bebida. Nossa própria criação impede que isso aconteça e nos envergonhamos por qualquer anormalidade que se aproxime de nossas vidas. Diferenças sociais, diferenças sexuais, diferenças de pensamentos. Isso nos distancia e nos faz achar que somos melhores, ponto final. O cachorro é sempre citado como melhor amigo do homem, e eu digo: cães são os melhores exemplos para o homem. Eles ficam quando todos se vão. O cachorrinho branco ficou quando toda a sociedade deus as costas para o mendigo. Ele ficou ali, permaneceu ao lado, mesmo quando o seu dono lhe negou comida. E ele não tem a inteligência para pensar que o homem apenas guardou o alimento para quando fosse mais necessário e urgente. Foi fiel e companheiro. Coisa que nenhuma pessoa consegue ser hoje em dia porque somos movidos pelo egoísmo e orgulho. Basta um erro alheio e largamos de mão, penduramos as chuteiras e abandonamos o barco. Afinal, existem muitas pessoas no mundo que podem ser úteis sem nos incomodar.
Se seu amigo perdesse tudo e fosse morar na rua, pedir esmola e comer lixo... você continuaria sendo amigo (a) dele? Continuaria ao seu lado, sentaria na calçada com ele (a) e defenderia ele do mundo? Se não houvesse escolha, se tudo isso acontecesse e você não pudesse ajudar, pudesse apenas oferecer companhia incondicional, permaneceria lá? Pra quem disse sim, me desculpe, mas eu queria a verdade. Ninguém mais larga o próprio mundo para apoiar o do outro. Percebe-se isso quando passamos por catadores de lixo, mendigos, crianças pobres e simplesmente enxergamos o outro lado da rua.   

Os cães permanecem, os humanos fingem que não conhecem. 

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Perfume na alma

Aos meus amigos, aos amores, à época, às flores. 



Estava aqui à toa hoje à tarde e senti um perfume que me levou há muito tempo atrás. Não sei de onde veio, não sei se foi algo da minha cabeça, só sei que senti. Foi como voltar no tempo e reviver várias situações e pessoas em pouquíssimo tempo.
Parei pra pensar e percebi como os cheiros nos marcam. Eles marcam de uma forma completamente diferente das outras coisas, como imagens e toques. O cheiro é algo que fica naquela porta à direita do corredor da alma, completamente escondido. Não é possível revivê-lo quando queremos, porque ele não surge no ar assim do nada. Não é tão simples como acessar a foto de alguém, como encontrar uma pessoa, como se lembrar de situações.
O cheiro de alguém é algo guardado num dos baús mais importantes da nossa mente. Tão bem guardado que dificilmente encontramos pra lembrarmos. O cheiro de alguém especial geralmente nunca mais é sentido. O perfume já é algo mais tangível, basta que alguma pessoa com a má sorte de comprar o mesmo frasco passe por nós na rua e pronto: lá vem a lembrança de alguém ou de uma época.
Mas não foi isso que aconteceu comigo. Eu simplesmente senti aqui no quarto o perfume que me marcou profundamente. Acho que minha própria consciência estava passeando por uma época bacana de minha vida e resolveu me cutucar com aquele cheiro. Eu atendi. Senti, respirei fundo e quando tentei novamente sentir, ele já tinha se ido. Acredito que esse era o propósito: fazer com que eu me lembrasse de uma maneira tão boa, mas ao mesmo tempo, entendesse que aquilo tudo é passado. Como eu li em algum lugar dias atrás: “a memória tem a mania de apagar as coisas ruins e nos fazer lembrar apenas das coisas boas que passaram.” De fato, foi exatamente isso.

Aquele cheiro que já esteve tão próximo e agora não passa de uma lembrança perdida. 

Essência perdida

Esse é outro texto que estava no antigo blog. É um tanto quanto grande, mas a mensagem que tento passar nele representa muito pra mim, talvez por isso o tamanho gigantesco.


Egoísmo. Dizem por aí que é o bem do século, a solução para os sofrimentos e outras coisas. Ser egoísta está na moda, afinal, devemos nos preocupar com o nosso bem estar. Se cada um fosse “um pouco mais egoísta” tudo seria melhor. Ninguém sofreria, faríamos as melhores escolhas, libertaríamos almas.
Não. O que ninguém percebe é que existe uma longa diferença entre ser egoísta e pensar em sim mesmo. Ao longo dos anos perdemos nossa sensibilidade, perdemos nosso dom de pensar nas pessoas que nos rodeiam, perdemos o que de mais valioso um ser pode ter. Está na essência do ser humano o amor, o respeito, essa sensibilidade de que falo. Então por que mudamos? Por que passamos a nos importar mais com o que vamos sentir do que com o que outra pessoa vai sentir? Porque achamos correto. Achamos certo estar com a consciência limpa, certo não sofrer, certo não derramar lágrimas por ninguém. Então, evitamos tudo que possa causar isso. Evitamos tanto, que chegamos a agir contra os outros, mesmo sem perceber. Nossas escolhas egoístas que levam outras pessoas a sofrer, mas que nos deixam bem. Isso é o certo hoje em dia, isso é o que todos buscam. Talvez por isso eu esteja com tanta vontade de ir embora, tentar algo novo, buscar o que me falta em outro lugar.
A maioria das pessoas que realmente me conhecem, me definem como uma boba e ingênua quando se trata de relacionamentos, amores e afins. Tudo porque ainda acredito no amor, acredito em uma pessoa especial, acredito na sensibilidade do ser humano. Não mecho um dedo se for para prejudicar alguém. Confio nas pessoas de uma forma quase cega. As decepções são inevitáveis, porque como disse antes, todos buscam tirar vantagem em todas as situações. Isso inclui relacionamentos de todos os tipos, por isso, sempre acabo na mesma. Meus sentimentos são tão puros que tenho pensado em deixá-los guardados aqui, dentro de mim apenas. Até hoje, nunca tive a reciprocidade que esperava quando os mostrei. A cada dia me convenço que não pertenço a esse mundo, não esse mundo de agora. Esse mundo em que todos tentam tirar vantagem de algo, o egoísmo é maior do que qualquer sentimento existente, o eu sempre vem antes do “nós” ou de “você”.  Não sei se ainda existe espaço pra mim e o pingo de pessoas que pensam como eu. Não vou negar que já tentei me adaptar. Já tentei sim tirar vantagens, já tentei sim usar pessoas, já tentei ser fria e calculista. Mas não, minha essência sempre acaba me vencendo, como agora. Voltei ao início, depois de passar por tantas situações ruins, depois de ter demonstrado sentimentos que ninguém compreende, depois de ter entendido como as coisas funcionam agora. Voltei, voltei e não pretendo tentar mudar de novo. Vou continuar assim, acreditando, tentando, amando.
Sinceramente, não acredito que as pessoas vão entender o que digo. Muito menos que irão mudar um dia. A tendência é cada vez mais o egoísmo se confunda com o “pensar em si mesmo”.  Isso é fato. Entretanto, egoísmo é quando você prejudica alguém pra ficar bem. É quando mesmo sem querer, você afeta a vida de outra pessoa com suas escolhas egoístas. Pensar em si mesmo é saber optar pelo melhor para si, mas sem fazer mal a outra pessoa. Sempre existe uma alternativa, sempre podemos ficar bem e deixar o outro bem. Ninguém é de ferro. Digo isso porque tento todos os dias me convencer que sou forte, mas percebo em todos esses dias que não sou. Não posso superar todas as escolhas egoístas de outras pessoas que me fizeram mal. E  me fazem mal pelo simples fato de eu não ser como todo mundo. Mas tudo bem, encaro e aprendo a lidar com isso. Mas mudar não mudarei. Evitar tais sofrimentos é covardia. A vida é feita de choros e risos. Evitar situações é perder oportunidades que talvez nunca mais voltem.
Às vezes nem eu entendo a grandeza do que sinto. Não entendo como posso me encantar por pessoas que pensam tão diferente de mim, que nunca vão compreender o tamanho do meu sentimento e o que significa pra mim. Mas na verdade deixei de me importar com isso. Sentir pra mim está sendo tão importante quanto compreender. Transformar tudo que penso em textos tem ajudado, me manter sozinha por um bom tempo também. Espero que um dia encontre alguém que respeite o que sinto. Não peço que seja igual a mim, mas que pelo menos valorize o que sou. Porque sou mais emoção do que razão, e isso não vai mudar.  

Danem-se realistas, os sonhos é que movem o mundo. O meu mundo. 


Ah, o verão!


Parece que chegou o verão. Estação que sinceramente, detesto.
Na verdade ainda estamos na primavera, mas como o povo sulista é acostumado com frio, esse calorzinho irritante já é considerado a estação das férias e ouve-se por aí “o que será da gente no verão, não é?”. Pois é, o que será da gente no verão?
Essa estação é maldita. No verão a maioria dos casais se desfaz. No verão casais que durarão um mês se unem.  No verão todo mundo fica mole. No verão, quem não pode passar o dia inteiro dentro de uma piscina, sofre com as 500 trocas de roupas diárias. No verão é todo mundo com menos roupa e menos vergonha.
Mas não serei hipócrita nesse texto, dizendo que o verão só tem coisas ruins. Ah, o verão. Começando pelo horário, que nos deixa mais tempo acordado e mais tempo na rua. Nessa estação, velhos e novos amigos se encontram, se divertem, aproveitam a vida no sentido mais amplo possível. Acampamento, domingo na piscina, praia em janeiro, carnaval em fevereiro, arrependimento em março.
Como não poderia deixar de explicar, relacionamentos sofrem grandes mudanças no verão. Já dizia um grande amigo meu: nunca e jamais, comece um relacionamento a partir de outubro. Nessa estação as pessoas se sentem mais livres, manter um relacionamento em pleno veranico é tarefa para fortes. Eu diria que 30% dos relacionamentos continuam, 20% continuam com um dos dois chifrados, e os outros 50% terminam ou dão um “tempo”. Ah mas eu amo ele (a) em todos as estações do ano. Ama? Tem certeza? Um (a) sarado (a) se aproxima de você naquela festa beira mar e simplesmente sussurra no seu ouvido aquilo que seu namorado (a) não disse durante 5 anos de namoro. E aí? Não se pode negar que no verão as necessidades físicas superam as emocionais. No verão não é tão agradável dormir junto, não é confortável passar uma tarde agarrado com alguém no sofá de casa, não é bacana ter que cancelar aquela folia com os amigos para passar a noite assistindo filmes com uma pessoa.
Pois é, o verão foi feito para os não carentes e para os que são carentes apenas no inverno. Eu? Sou carente o ano inteiro. Faria parte daqueles 30% que comentei antes, se dependesse unicamente de mim. Mas como um casal é composto de duas pessoas, não se pode ter certeza de nada. A única certeza que tenho é que uma pessoa ao meu lado no verão seria tão ou mais feliz do que no inverno. Sou festa, sou calmaria, sou banho de chuva, sou fim de semana sozinha, sou liberdade com respeito.

Verão nem me afeta.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Pequena grande alegria

Esse texto estava no outro blog, mas como gostei bastante dele, trouxe para cá.


Vejo tanta gente emocionada por ter pegado x pessoas na noite anterior, tanta gente pensando na próxima festa, no próximo furto de namorado (a). Engraçado como eu acho tudo tão idiota. Como essas coisas simplesmente nunca fizeram a minha vida mais feliz (a não ser a bebida haha).  
Sempre valorizei as coisas simples. Aquelas coisas tão pequenas que às vezes ninguém percebe a grandeza que as rodeia. Todo mundo acha “Cult” falar que ama as coisas simples da vida. Mas falar é tão fácil.
Quando a gente gosta de alguém quer ter sempre a pessoa por perto. Mas ninguém valoriza aquele silêncio que fica entre os dois, aqueles sorrisos tímidos de recém apaixonados, aquelas conversas longas e que geram tantas discussões bobinhas. Aquele pensamento perdido no meio tarde, a lembrança do cheiro, da forma de falar, dos ciúmes sem fundamento. Nesse nosso mundo, o que vale é mostrar para o mundo quem você está pegando dessa vez.
Eu quero dividir coisas simples. Não quero grandes viagens para o exterior, não quero alguém abandonando o seu próprio mundo por mim, não quero declarações públicas e escandalosas. Quero a mão entrelaçada, o olhar perdido e o riso quando encontra outro olhar. Quero aquele eu te amo na tarde de uma quinta-feira sem graça. Quero liberdade, sair só e sentir saudade da companhia de sempre. Aquele esforço para se enturmar com os novos amigos, aquelas festas em que não se chega a entrar, aquele pôr do sol depois de um dia junto. Uma manhã com Coca-Cola depois de uma noite de conversas e cochilos, e talvez depois daquele filme que nenhum conseguiu assistir. O violão em um domingo à tarde ou em uma praia nas férias. A saudade por passar uma, duas, três semanas sem se ver, ou por passar um dia sem ouvir a voz, ou um minuto sem o som da risada. Quero planos, mesmo que eles nunca se concretizem. Dividir as tristezas e ouvir um “vai dar tudo certo”. Eu quero a conversa na varanda num fim de tarde.
Tudo tão simples e tão desperdiçado pela maioria. Devemos aproveitar a vida enquanto somos jovens, com toda certeza, mas talvez esse aproveitar seja encontrar a pessoa que vai preparar um café pra você depois daquela festa e ainda vai rir do quanto você está tropeçando.  

Presença é simples. Seja ela física ou psicológica. 

Recomeçando


Estou inaugurando um novo blog. É eu tinha outro blog, mas ninguém sabia. Na verdade duas pessoas sabiam: eu e meu querido amigo Rodrigo. Naquele blog estão os textos que escrevi até hoje, e que de fato, tinham como inspiração apenas uma pessoa. Por isso, resolvi inaugurar outro.
Esse blog marca um novo começo, um começo que venho há muito tempo tentando conquistar. Meu mundo sempre girou em torno de uma pessoa, tudo que eu escrevi tinha como objetivo transcrever o que eu passava tentando administrar um sentimento não correspondido. Resolvi que é hora de seguir em frente. Foram vários tombos e acho que já passou do momento de tentar esquecer. Não esquecer, mas deixar de lado, tirar do centro das minhas atenções. Todas as esperanças se acabaram e talvez por isso eu tenha decidido “mudar”. Não existem culpados, ou talvez exista um: eu. Porém, isso não vem mais ao caso. É uma nova etapa. Tanto para mim, quanto para o ser ao qual dediquei meus pensamentos durante tanto tempo. Esse blog vai hospedar novos sentimentos, novas visões, novos objetivos. Um mundo visto por mim de forma mais real e sem tanta influência daquele sentimento dito "amor". 

Que a vida siga seu curso.