Fazia algum tempo que uma pessoa “próxima” a mim não morria. Pois bem, o avô da minha prima faleceu esse final de semana, e mesmo não tendo parentesco sanguíneo comigo, senti algumas coisas estranhas e até engraçadas.
Algo que eu sempre pensei sobre morte é o quanto somos insignificantes. Nós somos o centro do mundo apenas para nós mesmos. As opiniões, o modo de ver as coisas, as reações, as generalizações que vivemos fazendo, as dores. Só são assim para você ou eu. O “resto” do universo pensa diferente e a maioria nem sabe da sua existência.
Que existem pessoas que se importam com você é fato. Porém, o mundo não vai parar de girar se você desaparecer, as pessoas não deixarão de viver se você não existir. A única coisa que vai deixar de existir é o seu mundo, você. Na vida observamos tudo pelos nossos olhos e da nossa forma, vivendo como se fomos um imã: tudo acontecendo ao nosso redor. De repente, isso simplesmente deixa de existir, some. Assim, do nada. Passamos anos e anos correndo atrás da felicidade, do carro vermelho, da casa na praia. E em um instante tudo isso deixa de ser importante.
Não estou tentando reduzir a vida a pó, mas explicar como somos solitários e egoístas, involuntariamente. Isso está no nosso sangue, no nosso coração e na nossa mente. Todo mundo que conhecemos vai chorar no dia em que partirmos, mas daqui a alguns anos, eles que deixarão de estar presentes, por eles que alguém derramará lágrimas. É um ciclo que não termina. Famílias ficam menores, sobrenomes se perdem, vidas desaparecem. Em uma hora você está ali, na outra não está mais. Simples e complicado ao mesmo tempo.
Enfim, sou uma daquelas pessoas que não quer choro no velório. Toquem Losing Touch do The Killers e falem das besteiras que eu fiz durante a vida. O mundo continua a girar e todas as pessoas têm suas vidas para cuidar. Somos importantes, sim. Mas depois do enterro, o que vale é as lembranças. Nada de suicídios, choros prolongados e tristeza profunda. Isso vale para o momento, mas tudo continua. Sad but true.
E sempre que eu vou num velório fico imaginando que o morto vai levantar e todo mundo sairá correndo. É.

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