Eu me tornei você tão cedo...
Refleti sobre esse trecho da Reação em Cadeia por um bom tempo e cheguei a algumas conclusões, baseadas em minha (s) experiência (s). Não defino uma ou várias porque tenho partes de mim que desconheço a origem.
Pois bem, eu me tornei determinadas pessoas ao longo do tempo, analisando melhor, pouco tempo. Gírias, formas de agir e pensar, gostos, desgostos. Palavrinhas que não usava e que ainda travam na língua quando podem ser ditas para a pessoa “dona” de tal vocabulário. Formas de ver o mundo que antes não se encaixavam em meus princípios. E falando em princípios, todas as nossas ações são baseadas neles, cada um possui os seus. Me surpreendo ao pensar como o respeito e o amor que senti me fizeram mudar alguns dos meus princípios e adaptar os que já existiam. Mudei gostos, somei novos, esqueci alguns. Interpretei situações de jeito diferente, tive novas primeiras impressões, repeti erros.
É incrível como isso acontece e não reparamos. Todas as pessoas que passam pela nossa vida deixam um pouco de si conosco. Cada ser é a soma de todos os outros que já cruzaram seu caminho. Por mais original que se pensa ser, não passamos dessa carga de vidas. E repassamos isso pra outras, e pegamos algo delas, e de repente encontramos alguém com gostos exatamente iguais ou parecidos. Tá aí a explicação: talvez a “alma gêmea” tenha um pouquinho de você e você dela, sem nem ao menos terem se cruzado em uma festa durante toda a vida. Se a tal alma gêmea nunca apareceu, considere-se com sorte. Na sua frente pode estar um mundo totalmente inexplorado, com ideias e visões novas para o seu mundo.
O som que eu ouço são as gírias do seu vocabulário, o que eu leio tem as letras do seu nome, o que eu escuto tem a sua melodia e o que eu vivo faz parte da sua vida.
Sem mais delongas, é o que me tornei: uma cópia estranha das pessoas que amei.

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