Uma homenagem à noite de 14 de novembro de 2010.
Um, dois, três copos. E tudo que eu havia pensado em dizer, tudo que eu havia prometido a mim mesma, vai por água abaixo. Ou melhor, álcool abaixo. E me deixa mais vulnerável, e me deixa mais compreensiva, e me deixa ali... sem nada pra dizer mas com tantas palavras na ponta da língua.
Incrível o poder da bebida. Converso com quem, sóbria, digo que detesto. Cumprimento pessoas que vi uma vez na vida. Dou risada da garota se equilibrando no salto. Declaro amores que existem só dentro de mim e que prometi não ressuscitar. Me deixo levar por conversas que em estado normal, não acreditaria. Sofro de felicidade instantânea. E continuo, mesmo sabendo que deveria parar.
Entretanto, as conseqüências piores são no dia seguinte. Calor excessivo que me impede de dormir. Pernas bambas que fazem do banho uma aventura radical e suicida. Memória recente completamente afetada, não sabendo o que aconteceu de verdade ou foi imaginação. Ânsia de vômito em frente ao almoço servido às 6 da tarde. E volto pra cama, mesmo sabendo que deveria permanecer acordada.
Fisicamente ou psicologicamente, a ressaca pesa. Não diferenciar os atos espontâneos dos influenciados pelo álcool é o mais complicado. O corpo denuncia que tudo tem uma reação. Tentamos nos distanciar da realidade e acabamos sentindo as dores mais reais.
Porém, pela segunda vez no quesito tragos, não me arrependo do que aconteceu. O álcool não retirou totalmente minha capacidade de avaliar o que era e é melhor pra mim. Durante muito tempo, busquei nele o que a maioria das pessoas procura: esquecer. Agora percebo que não preciso esquecer nada, posso guardar o que passou e encarar o que vem pela frente de forma tranqüila. Não vou mais decorar textos pra dizer, porque no fim das contas, minha língua não diz o que o cérebro tinha pensado. Vulnerabilidade combina comigo, com ou sem bebida.
E pela 50ª vez digo que vou parar de beber. Sério.

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