segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Eterno enquanto dura


Um dos meus filmes preferidos é “500 Days Of Summer”. Quando digo isso, pessoas que me conhecem se espantam e dão risada. Eu assistindo comédia romântica e considerando um dos melhores filmes no quesito história. Mas é isso aí.
O filme é especial em vários sentidos. O relacionamento apresentado é mais realista e ao mesmo tempo improvável (um anti romance). Nele, um rapaz se apaixona por uma garota. Mas ela não acredita no amor e não quer um relacionamento sério, pois diz não gostar de relações assim. Inicia-se aí a confusão, que é mostrada de forma não linear no filme. Por que é um dos meus prediletos? Simplesmente porque eles não ficam juntos no final. É, não ficam. Fica claro que as pessoas não amam do mesmo jeito, e não possuem os mesmos objetivos quando a questão são relacionamentos. Demonstra também como nem tudo é perfeito e como o amor não precisa durar pra sempre, desde que seja eterno e deixe marcas especiais nos envolvidos.
Às vezes nos apaixonamos cegamente por alguém e colocamos a imposição de que deve ser eterno. Se as coisas mudam, o mundo desaba e o outro não passa de um mentiroso. Mas não entendemos que o sentimento pode ser verdadeiro durante o tempo que foi vivido. As alegrias, as tristezas, as emoções. Tudo foi verdadeiro. Tudo foi sentido fortemente. Então, o que aconteceu? As pessoas mudaram. Os sentimentos mudaram. Essa é uma razão para aproveitarmos tudo que a vida nos oferece. Não sabemos durante quanto tempo vamos gostar de alguém e muito menos durante quanto tempo essa pessoa vai nos “amar”.
Entretanto, ainda existe aquele amor pra vida toda. O problema é que ele está cada vez mais difícil de encontrar e de ser percebido. Com o mundo vivendo a era dos relacionamentos estupidamente rápidos, podemos facilmente passar pela pessoa da nossa vida e deixá-la ir embora. Seja por orgulho, por liberdade, por insegurança.
De qualquer forma, o importante é não se entregar a ideia do prasemprecomvocêamor. Quando vivemos para algo que “vai ser eterno”, perdemos as pequenas alegrias do agora. Quando desejamos algo “eterno” deixamos escapar a felicidade do momento, do amanhã que se define como um dia da semana, e não como 90 anos. Quando queremos alguém pra sempre, ignoramos o abraço apertado num dia comum, pois estamos sempre esperando aquela viagem para Paris em 2015.
Viver o presente, imaginar o futuro e guardar o passado. Encontrou alguém bacana mas se separaram ou nem se deram a oportunidade? Se for pra dar certo, vai dar. Algum dia as pessoas voltam a se encontrar, talvez mais maduras. E de tão maduras, podem perceber que não se desejam tanto assim. Ou pelo contrário, acabam entendendo que desperdiçaram tempo ficando longes. E dentro desse tempo, tudo pode acontecer. Até mesmo encontrar outra pessoa tão ou mais especial que a anterior. A vida é feita de desencontros de sentimentos.

“Esta não é uma história de amor. É um história sobre o amor.”

terça-feira, 16 de novembro de 2010

"Por inteiro."


"Não passam as dores, também não passam as alegrias.
Tudo o que nos fez feliz ou infeliz serve pra montar o quebra-cabeça da nossa vida, um quebra-cabeça de cem mil peças.
Aquela noite que você não conseguiu parar de chorar, aquele dia que você ficou caminhando sem saber para onde ir, aquele beijo cinematográfico que você recebeu, aquela visita surpresa que ela lhe fez, o parto do seu filho, a bronca do seu pai, a demissão injusta, o acidente que lhe deixou cicatrizes, tudo isso vai, aos pouquinhos, formando quem você é.
Não há nenhuma peça que não se encaixe.
Todas são aproveitáveis.
Como são muitas, você pode esquecer de algumas, e a isso chamamos de "passou".
Não passou. Está lá dentro, meio perdida, mas quando você menos esperar, ela será necessária para você completar o jogo e se enxergar por inteiro."

Martha Medeiros

Afogando pensamentos

Uma homenagem à noite de 14 de novembro de 2010.


Um, dois, três copos. E tudo que eu havia pensado em dizer, tudo que eu havia prometido a mim mesma, vai por água abaixo. Ou melhor, álcool abaixo. E me deixa mais vulnerável, e me deixa mais compreensiva, e me deixa ali... sem nada pra dizer mas com tantas palavras na ponta da língua.
Incrível o poder da bebida. Converso com quem, sóbria, digo que detesto. Cumprimento pessoas que vi uma vez na vida. Dou risada da garota se equilibrando no salto. Declaro amores que existem só dentro de mim e que prometi não ressuscitar. Me deixo levar por conversas que em estado normal, não acreditaria. Sofro de felicidade instantânea. E continuo, mesmo sabendo que deveria parar.
Entretanto, as conseqüências piores são no dia seguinte. Calor excessivo que me impede de dormir. Pernas bambas que fazem do banho uma aventura radical e suicida. Memória recente completamente afetada, não sabendo o que aconteceu de verdade ou foi imaginação. Ânsia de vômito em frente ao almoço servido às 6 da tarde. E volto pra cama, mesmo sabendo que deveria permanecer acordada.
Fisicamente ou psicologicamente, a ressaca pesa. Não diferenciar os atos espontâneos dos influenciados pelo álcool é o mais complicado. O corpo denuncia que tudo tem uma reação. Tentamos nos distanciar da realidade e acabamos sentindo as dores mais reais.
Porém, pela segunda vez no quesito tragos, não me arrependo do que aconteceu. O álcool não retirou totalmente minha capacidade de avaliar o que era e é melhor pra mim. Durante muito tempo, busquei nele o que a maioria das pessoas procura: esquecer. Agora percebo que não preciso esquecer nada, posso guardar o que passou e encarar o que vem pela frente de forma tranqüila. Não vou mais decorar textos pra dizer, porque no fim das contas, minha língua não diz o que o cérebro tinha pensado. Vulnerabilidade combina comigo, com ou sem bebida.

E pela 50ª vez digo que vou parar de beber. Sério.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

"Ser ou não ser de ninguém."

Em um passeio rotineiro pela internet, me deparei com esse texto de Arnaldo Jabor. Me surpreendeu a semelhança de pensamentos. Posso dizer que praticamente tudo o que penso sobre relacionamentos modernos está descrito nele. Leia e entenda do que falo.


Na hora de cantar, todo mundo enche o peito nas boates e gandaias, levanta os braços, sorri e dispara: "eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também".
No entanto, passado o efeito da manguaça com energético, e dos beijos descompromissados, os adeptos da geração tribalista se dirigem aos consultórios terapêuticos, ou alugam os ouvidos do amigo mais próximo e reclamam de solidão, ausência de interesse das pessoas, descaso e rejeição. A maioria não quer ser de ninguém, mas quer que alguém seja seu.
Beijar na boca é bom? Claro que é! Se manter sem compromisso, viver rodeado de amigos em baladas animadíssimas é legal? Evidente que sim. Mas por que reclamam depois? Será que os grupos tribalistas se esqueceram da velha lição ensinada no colégio, de que toda ação tem uma reação?
Agir como tribalista tem conseqüências, boas e ruins, como tudo na vida.
Não dá, infelizmente, para ficar somente com a cereja do bolo - beijar de língua, namorar e não ser de ninguém. Para comer a cereja, é preciso comer o bolo todo e, nele, os ingredientes vão além do descompromisso, como: não receber o famoso telefonema no dia seguinte, não saber se está namorando mesmo depois de sair um mês com a mesma pessoa, não se importar se o outro estiver beijando outra, etc, etc, etc. Embora já saibam namorar, os tribalistas não namoram. "Ficar" também é coisa do passado. A palavra de ordem hoje é "namorix". A pessoa pode ter um, dois e até três namorix ao mesmo tempo. Dificilmente está apaixonada por seus namorix, mas gosta da companhia do outro e de manter a ilusão de que não está sozinho.  Nessa nova modalidade de relacionamento, ninguém pode se queixar de nada. Caso uma das partes se ausente durante uma semana, a outra deve fingir que nada aconteceu, afinal, não estão namorando. Aliás, quando foi que se estabeleceu que namoro é sinônimo de cobrança? A nova geração prega liberdade, mas acaba tendo visões unilaterais. Assim, como só deseja a cereja do bolo tribal, enxerga somente o lado negativo das relações mais sólidas. Desconhece a delícia de assistir a um filme debaixo das cobertas num dia chuvoso comendo pipoca com chocolate quente, o prazer de dormir junto abraçado, roçando os pés sob as cobertas, e a troca de cumplicidade, carinho e amor. 
Namorar é algo que vai muito além das cobranças. É cuidar do outro e ser cuidado por ele, é telefonar só para dizer boa noite, ter uma boa companhia para ir ao cinema de mãos dadas, transar por amor, ter alguém para fazer e receber cafuné, um colo para chorar, uma mão para enxugar lágrimas, enfim, é ter alguém para amar.
Já dizia o poeta que amar se aprende amando. Assim, podemos aprender a amar nos relacionando. Trocando experiências, afetos, conflitos e sensações. Não precisamos amar sob os conceitos que nos foram passados. Somos livres para optarmos. E ser livre não é beijar na boca e não ser de ninguém. É ter coragem, ser autêntico e se permitir viver um sentimento... É arriscar, pagar para ver e correr atrás da tão sonhada felicidade. É doar e receber, é estar disponível de alma, para que as surpresas da vida possam aparecer. É compartilhar momentos de alegria e buscar tirar proveito até mesmo das coisas ruins. Ser de todo mundo, não ser de ninguém, é o mesmo que não ter ninguém também... É não ser livre para trocar e crescer... É estar fadado ao fracasso emocional e à tão temida solidão.”



Na busca de paz


Quando me perguntam o que é felicidade, sempre respondo: satisfação.
Dizia que não acreditava em felicidade, que isso era utopia. Mas agora acredito, de forma bem peculiar. Ser feliz para mim é a união de três coisas: tranqüilidade, segurança e amor. Estar feliz é estar tranqüila.
Minha missão particular é encontrar essa tranqüilidade. Todos os dias da minha vida estão direcionados a isso e acredito que posso encontrá-la quando alcançar meus objetivos. Essa vida enlouquecida, cheia de riscos e mudanças repentinas não me agrada. Gosto de paz, calma e um horizonte alaranjado para olhar. Me chamam de chata por isso, mas sou uma amante declarada da rotina. Gosto de programações, gosto de coisas certas, gosto de saber o que vou fazer. Claro, sempre com alguma mudança, para que eu não perca os prazeres que essa vida apressada oferece. Mas uma rotina bem agradável... ah, é perfeita pra mim.
Para os imprevistos, existem as férias. Para a correria, existem os atrasos. De resto, quero tranqüilidade. Chegar aos 40 anos e ter a consciência de que realizei o que queria, conheci pessoas importantes e poder me orgulhar do que me tornei. Aprendi que a felicidade vem de dentro, da própria pessoa, depender de alguém para estar de bem com a vida é a maior bobagem que fazemos. Por isso, quero me fazer feliz para poder fazer alguém feliz. Se essa pessoa surgir no meio do meu trajeto, ótimo! Levo ela comigo. Do contrário, sigo meu caminho apenas com meus desejos, sorrisos, lágrimas, emoções, amores e amigos. Essa imposição feita ao longo dos anos, que nos força a encontrar alguém e aceitar que vida perfeita é isso, não se encaixa nos meus pensamentos.
Minha felicidade chamada satisfação não é tão exigente, mas sinto que não será tão fácil assim alcançá-la. Pelo menos conto com a juventude. Ainda há um longo caminho para percorrer, lugares para conhecer, perfumes para sentir, olhos para se apaixonar e arrependimentos para levar. E sinceramente, sei que não é aqui o meu lugar.  Não encontrei minha paz por esses lados, sofri por coisas que agora considero bobagens, mesmo que elas ainda me atormentem. Por isso, meus planos já estão feitos. Tudo para que não seja uma mudança brusca, no estilo que detesto. Será tudo no seu devido tempo, com paciência e confiança. Verei o sol nascer longe daqui. Será bem perto daquele lugar em que as ondas nos dão bom dia.

E que o mundo me perdoe, mas só quero ser feliz. 

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Vênus e Urano


Eu sou o que vai acontecer
Você é o que acontece todo instante
Eu sou a paciência, a calma constante e o refúgio
Você é o furacão, a pressa e a fuga antes de chegar
Eu sou a segurança do dia-a-dia, a tradição simples
Você é a liberdade insegura, o exótico do de repente
Eu sou a teoria temperada com prática
Você é a prática livre de qualquer teoria
Eu sou o prólogo vidente
Você é o epílogo insistente
Eu sou a observação e o pensamento infinito
Você é o toque e a ação sem explicações
Eu sou a vontade de permanecer
Você é o desejo de mudar
Eu sou a solução dos seus problemas
Você é o problema para o qual eu não tenho solução
Eu digo que faz todo sentido
Você diz que só considero demais
Eu sou a terra
Você o ar
Por que continuar?
Porque sobram razões para desistir. 


sexta-feira, 5 de novembro de 2010

"Nada do que foi será..."


Não acredito em primeira chance, muito menos em segunda.
Defino-me como uma chata porque realmente sou. Não tolero traições, falta de respeito ou qualquer tipo de ofensa sem sentido. Minha paciência tem limites, e eles são bem distantes. Por isso pra me irritar de verdade e conseguir perder totalmente minha confiança, deve-se insistir muito em um caminho. Algumas pessoas conseguem isso de forma tão rápida que fazem com que eu me pergunte: o problema sou eu?
O pior de tudo é que não. O problema não sou eu. O mundo está de um jeito completamente errado pra mim e eu me nego a aceitar certas atitudes “modernas”. Infelizmente, são essas ações humanas que me fazem perder as esperanças e até, me tornam cética em assuntos nos quais não se deve ser assim.
Acredito que devemos aproveitar cada situação em que a vida nos coloca. Mas aproveitar de uma forma que nos faça crescer, e não que nos torne pior do que somos. Cada oportunidade que nos é dada, independente do que seja, traz uma carga de novos sentimentos e percepções do mundo. Então, aproveitar a única chance que recebemos, é indispensável. Porque tudo é uma chance, e única. Não existe primeira nem segunda. É tudo único. As coisas e pessoas mudam, portanto nada vai se repetir em totalidade. Nada vai ser o mesmo.  Pode-se correr atrás do tempo perdido, atrás da pessoa perdida, atrás do respeito perdido. Mas nada vai apagar o que passou e não foi correto. Existem pessoas que possuem o dom de esquecer e perdoar coisas que lhes fizeram mal. Pois bem, não sou uma delas. Perdão, pra mim, fica bem longe de aceitação. Conseqüentemente, segunda chance não faz parte de minhas decisões, não mais.
Eu aproveito a minha única chance em todas as coisas, dou o meu melhor e espero o mínimo das pessoas envolvidas. Talvez meu jeito desligado acabe não percebendo fatores que poderiam alterar toda a história, mas mesmo assim, continuo não aceitando atitudes bobas e inconseqüentes. Falta de respeito se encaixa perfeitamente no primeiro lugar de ações, a meu ver, repugnantes.
Aproveite seu tempo. Sorria, dance, cante, veja em cada pessoa o seu melhor, dê o seu melhor, entenda, aprenda, cresça... respeite. A sua única chance acontece a cada segundo. Depois é tarde, nosso futuro espera apenas as decisões de hoje para se construir e nos dizer se a felicidade vai nos acompanhar ou não.  Segunda chance é para aqueles que não têm coragem de dar o seu melhor no início ou que não tiveram inteligência de perceber o mais importante.

Clichê, porém perfeito: “Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida.” 


segunda-feira, 1 de novembro de 2010

November has come


Novembro. Já estamos em novembro. Tenho que confessar: não vi outubro passar. Foi o mês mais rápido de todos que vivi, quando me toquei já era dia 31 de outubro.
O fim das aulas se aproxima, o verão já esta aí, milhões de aniversários também. Todas as crianças produzidas na época do carnaval se unem em festinhas para comemorar o novo ano. A programação para as comemorações do fim de 365 dias já se iniciam e as tias já se preparam para avisar que virão no natal.
Novembro é o último mês útil do ano. São 30 dias de despedidas e planos. É o mês do meu querido ascendente, ou seja, é culpa dele a quantidade de pessoas malvadas no mundo. Graças ao meu signo solar, não me encaixo nesse grupo maléfico e vingativo (haha).  É em novembro que puxamos as memórias do ano e as classificamos, para que em dezembro possamos fazer novas promessas. Agora a maioria das pessoas começa a sentir mais leve, ou pesada, dependendo da avaliação anual.
Nos guiamos pelos dias, então é inegável que a mudança de mês influencia nossos pensamentos e atitudes. Não temos os mesmos pensamentos de abril em dezembro e vice-versa. Em março o desejo nacional era que o verão acabasse, agora a reza é para que ele comece logo. Mas uma coisa é certa: todos querem férias! Desapego do trabalho, desapego das aulas, desapego de pessoas anuais que só não fazem diferença a partir de novembro.
Que assim seja! Novo mês para um ano velho. Que venham os sorrisos acompanhados de esperanças. Que venham as propagandas de natal e réveillon, que cheguem os feriados, aniversários de pessoas especiais e novos amores, oriundos da estação.

Novembro com sensação de deveres cumpridos, acima de tudo.